vítimas de um sinistro mental reúnem-se para discutir em público os restos e as raízes do chefe de uma personalidade a diluição das parcelas das camadas é demorada os vínculos do chefe resistem ele tem um nome tem amigos documentos mapas convicções memória fotos que o surpreendem na dança de imagens do seu rosto o chefe não quer admitir de saída que ele está num beco chuvoso e o que ele acha que é cimento nos ossos é água correndo por dentro da explosão dos dias o chefe batalha abre a sua tesoura mágica pra cortar o umbigo das representações mas não tem jeito a toalha cai da mesa
TUDO JÁ FOI DITO PELA VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS AJUDA A QUEM VÊ CARA NÃO VÊ CORAÇÃO DE MÃE SEMPRE CABE MAIS UM É POUCO DOIS É BOM TRÊS É UMA BRASA MORA EM CASA DE FERREIRO ESPETO É DE PAU QUE NASCE TORTO MORRE PELA BOCA FECHADA NÃO ENTRA POR UM OUVIDO E SAI NA CHUVA É PRA SE MOLHAR O BISCOITO VAI UM E VEM A CAVALO DADO NÃO EXISTE MULHER FEIA PRA MIM É FOME COM A VONTADE DE COMER E COÇAR É SÓ TOMA LARANJA QUANDO A ESMOLA É GRANDE O CEGO PIOR É O QUE NÃO QUER DOIS NÃO BRIGA DE MARIDO E MULHER NÃO SE CONTA COM O OVO NO CU DA GALINHA VELHA DÁ BOM CALDO MAS MANDA QUEM PODE OBEDECE QUEM TEM UM OLHO EM TERRA DE CEGO É REI NA BARRIGA ESTÁ CHEIA TODA GOIABA TEM BICHO PEGA SE FICAR O BICHO COME PEDRA PORQUE SABE O BICO QUE TEM MEDO DE ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA TANTO BATE ATÉ QUE QUER OUVE O QUE NÃO QUER AGRADAR A TODO MUNDO ACABA NÃO HÁ MAL QUE SEMPRE DURE NEM TUDO QUE RELUZ É UMA COISA E OUTRA COISA É COMO PNEU QUE QUANTO MAIS TRABALHA MAIS LISO FICA O DITO PELO NÃO DITO
a palavra circunscrevendo a palavra circuncisão do sentido inócuo do sentido sabido do siso da bílis sibilino a palavra enquanto fonte alternativa de energia o poeta em choque chocado por um carro em movimento o poeta na UTI a linguagem em coma o poeta morto a poesia acidental transcendendo a morte relativa do mundo da poesia luz incandescente por trás de toda narrativa um leito confortável rodeado de bananas uma jequié cosmopolitan vanguarda autista meus olhos acesos vagando antes que o espetáculo acabe a cortina se feche enclausurando a vida dentro e fora de mim
do rito da passagem se faz o equilíbrio da vida fisicamente falando a busca de uma nova fronteira que ultrapassa verdadeiramente qualquer realidade é um luxo que devemos nos dar para escapar das mesmas veleidades