as coisas vem e vão não em vão apesar da indiferença- impaciência e da minha ignorãça em saber durante a roda de chá se a courtney tem ou não tem muito love pra dar
o repetente da quinta série tinha comigo amizade passageira e um rasgo nas calças que me mostrava sorrindo quando a professora de ciências (sua mãe) não olhava eu checava se era comigo ou com a menina atrás de mim com que ele falava comigo II.
o repetente da sexta série era filho da professora de teatro às vezes o encontrava à tarde no mercado da esquina e minhas pernas tremiam embora segurasse firme os pacotes de bolacha
III.
o repetente do primeiro colegial não sei da sua família vestia quase sempre a mesma blusa de lã azul macia embora eu nunca a tenha tocado aprendi mais sobre os dedos da mão dele girando a caneta também azul do que qualquer matéria daquele ano
se ela voa, onde andaria ou se não anda onde ela pensa eu apenas acho que ela pensa e voa em mim ou se apenas anda eu acho fácil
é safada, essa fada...
se não fosse a safada quem é que se safaria? só uma ponte sobre a Bahia que cê pára com esse papo que já sabia que não dava no pé e acaba ficando por aí nesse papo barroquino beijinho encara aí com esse cara aí que te diz que sabe tudo de 100 anos de cinema
esse cara é cabeludo mas não te leva a nada! eu sim... te cato por esse lado, foco na cama e te afogo fada
atmosfera enevoada onde te busco? num turbilhão fragmentário, a palavra não vem sobressaltada atravessando o salão de salto alto e nariz arrebitado pisando em copos ou ovos numa trajetória de locomotiva
não vem não veio desfilar essa semana toda a atitude da estação um rock acústico toca alto na rádio do meu coração como pôsteres em relevo resgatados do dilúvio do esquecimento ao redor das paredes onde me amparo
dar as mãos à mocidade perdida antes de atravessar a rua e encerrar a carreira solo na base do baixo guitarra e bateria
entre a coisa que nasce e a coisa crescida algo em mim mudou mas não morreu não faço idéia do que tenha sido mas boto fé que ainda esteja aqui comigo
igual uma seção de sebo destinada a colecionadores de gibis alternativos
minha tática é olhar-te aprender como tu és querer-te como tu és
minha tática é falar-te e escutar-te construir com palavras uma ponte indestrutível
minha tática é ficar em tua lembrança não sei como nem sei com que pretexto porém ficar em ti
minha tática é ser franco e saber que tu és franca e que não nos vendemos simulados para que entre os dois
não haja cortinas nem abismos
minha estratégia é em outras palavras mais profunda e mais simples minha estratégia é que um dia qualquer não sei como nem sei com que pretexto por fim me necessites.
o neo-romântico promete o mundo largar a mulher os filhos o emprego a alma as drogas as premonições os fungos a igreja protestante a jogatina o crime organizado a cafeína o time de futebol e a conta arredondada na itália multiplicados os zeros num acesso de piada
vem com aquele já esperado desespero bafo de cachaça e papinho qualquer coisa fim-de-noite
transmutando-se num simpático azedinho doce
da gordinha do mercado à musa da tevê o que prevalece é o viagra e a vontade de comer