NOUTRATEZ


no que concerne a uma sanguessuga

que rouba sonhos

eu estremeço e a velhice já cobre 

a minha pele,

como nas intimidades de safo, quando desce eros,

ambiguamente fashion,

vestido de púrpura, no sonho mais viado

 

envelheço,

seco a minha porra,

sangro os riachos

 

e assim te renovas, lambuzando-se toda,

trajes de gala

 

deixas-me vidas secas, como chão de açude,

feições de beckett

 

e foges perversa, para sugar outros homens

seringa nas glândulas

 

xico sá



Escrito por Caio Carmacho às 16h50
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cocaína II (epílogos)

tudo que escrevo

sai pronto num jorro

apesar de terminado

eu ainda me mordo

- eu -

ainda me mordo

 

caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 18h34
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Porque a voz dele me toca feito as mãos
e as mãos dele me envolvem feito fábulas.
E as duas, quando passeiam em mim
desabotoam
minhas mais
mal-comportadas
palavras.

 

Marla de Queiroz



Escrito por Caio Carmacho às 15h45
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Gravata Colorida

Quando eu tiver bastante pão
para meus filhos
para minha amada
pros meus amigos
e pros meus vizinhos
quando eu tiver
livros para ler
então eu comprarei
uma gravata colorida
larga
bonita
e darei um laço perfeito
e ficarei mostrando
a minha gravata colorida
a todos os que gostam
de gente engravatada...

 

Solano Trindade



Escrito por Caio Carmacho às 16h31
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'é o melhor que nós temos' - 1ª picareta cultural de paraty

música. literatura. cachaça.
tutti ao mesmo tempo e
nada necessariamente nessa ordem.

evento que visa reunir escritores de renome
a novos autores ao sugo.

para mais detalhes, ver:

http://www.melhorquenostemos.blogspot.com

escalação oficial:

foncati & os napoleãos
lorena poema
chacal
leandro de paula
tchello melo
marcelino freire
caio carmacho
rodolfo muanis
wadochicchan
flávio de araújo
bonifrate
valentino


trilha sonora by 3então


5 de julho - sábado; a partir das 19 horas no antigo toronto
(atual bar e restaurante do alemão), no centristórico.

não tem como errar. só chegar chegando.



Escrito por Caio Carmacho às 15h43
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T4

Macalé e Paulo José homenageiam Torquato Neto



Escrito por Caio Carmacho às 17h07
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tomar um ar

tô dando uma pausinha estratégica no blog
enquanto estiver engazopado com a
picareta cultural.

são muitos tomates a serem cultivados
e digeridos, e agora como nunca,
minha cabeça só vê poesia boiando em
óleo quente.

parafraseando o Marcelo Montenegro
um puta 'buquê de presságios'.

vou divulgando o blog do evento onde
me encontrarão com maior constança
(isso serve pros saudosistas
e outros sados de plantão)

:

~ é o melhor que nós temos ~


pêpontoéssedoispontos: a imagem também tá linkada
ao blog picareta


Escrito por Caio Carmacho às 13h32
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Um amor tão

belo
Abole com beijos
O clima bélico
Pra não ficar cabreiro

Um amor tão robusto
Quanto brusco
Faz jus a estátuas e bustos
Em locais públicos

E não é em virtude
Da inversão dos pólos
Nem do degelo das calotas

Mas para estar amiúde
No cinema dos olhos
Ou, ao menos, à porta.

 

Tchello Melo



Escrito por Caio Carmacho às 16h31
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Um e outro

Paulinho Moska



Escrito por Caio Carmacho às 16h09
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A crença inabalável


Minha crença não muda.
Ainda vejo as crianças
De mãos dadas com a vida.
Sorrio com elas
Quando caem no chão.

Minha crença não muda.
Não cortarei os sonhos de ninguém
Com indagações sobre as impossibilidades.
Nem partilharei comentários de que, se Deus
Quisesse que o homem voasse
Lhe daria um par de asas.

Minha crença não muda
Quando todas às vezes que for defrontado
Com os dilemas de que a vida não vale a pena
Me opor.
E ao opor-me, juntar-me àqueles que entendem
Que a vida vale por si mesma.
Mesmo se a felicidade não nos sorri às vezes.

Minha crença não muda.
Mesmo caído, ou propenso a uma nova queda,
Ter na alma o desejo de levantar novamente.
Um irracional poderá até fazer coisas semelhantes,
Mas o homem será sempre homem,
Mesmo no pior estágio que se encontre.


Por maior que seja a tempestade
Mais belo será o raiar da quietude.
A luta justifica a vitória
Mas a guerra não justifica a paz.

E inda que rodeado
Pelas coisas mutáveis,
Como a carne que envelhece,
Ter nos dias a renovação
Das coisas atemporais,
Revogadas pelo amor que não tem marcas
Expressivas do tempo.

Que a capacidade de continuar
Seja o melhor conselho a dar e a ouvir.
A fé ainda é mais forte que a esperança.
Porque a esperança, por ser razão
É a última que morre.
A fé, por ser sobrenatural,
É a primeira que ressuscita.

 

Flávio de Araújo



Escrito por Caio Carmacho às 13h50
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Fino sangue

 
Gosto de poema
que fala de ovo frito
latido de cão
e cheiro de queimado.
Poema que com pequenos cortes
vara as coisas pequenas
fura a casca
o odre
rasga a placenta
e deixa gotejar
o fino
sangue.
 
 


Escrito por Caio Carmacho às 16h20
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- lição 100% algodão

 

a mãe adoeceu

não teve jeito,

 

aprendeu sozinho a lavar

as próprias roupas

 

desde então

nunca mais tirou da cabeça

as pequenas coisas

 

importantes

 

a mãe, o alvejante

 

Caio Carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 16h16
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O enigma de Hempel

todo corvo é preto

e cada corvo preto

confirma o negrume dos corvos.

 

se todo corvo é preto então

todo não-preto é não-corvo

e se todo não-preto é não-corvo

então todo corvo é preto.

 

todo corvo é preto

todo não-preto é não-corvo

e cada não-preto não-corvo

- cada folha verde cada onda

azul cada gota de sangue -

prova o negrume dos corvos.

 

Antonio Cicero



Escrito por Caio Carmacho às 15h28
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Receita de botequim

Enchê-lo de cachaça e de confidências.
Esvaziá-lo da cachaça
e enchê-lo mais ainda de confidências.
Esvaziar-se.
Não há limites para o copo,
nele cabem todas as confidências.
Há limite para a cachaça que ele deve conter.
Doses pequenas,
para não serem viradas de uma só vez.
Até que a garrafa se esvazie e já não haja confidências para fazer.
Até que o copo se esvazie da última gota da bebida
e tenha ouvido a última palavra das confidências.
Então o copo deve ser quebrado e jogado fora.
Ele sabe demais

 

Anatole Ramos



Escrito por Caio Carmacho às 15h17
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Desprego as estrelas,

deixo que elas

rolem céu abaixo

soltas do seu facho

frio, iridescente,

ricochete rente

ao chão adormecido.

Cobres,

estrelas de pobre,

moedas

que dobram na queda,

vão metal.

O mesmo que falta

às nossas mais altas

intenções, e nos deixa

(é sempre a mesma queixa)

nesse vai-da-valsa:

com as mãos repletas

de palavras certas,

de moedas falsas.

 

 

Claudia Roquette-Pinto



Escrito por Caio Carmacho às 15h10
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