Porque a voz dele me toca feito as mãos e as mãos dele me
envolvem feito fábulas. E as duas, quando passeiam em mim desabotoam
minhas mais mal-comportadas palavras.
Quando eu tiver bastante pão para meus filhos
para minha amada pros meus amigos e pros meus vizinhos quando eu
tiver livros para ler então eu comprarei uma gravata colorida
larga bonita e darei um laço perfeito e ficarei mostrando a
minha gravata colorida a todos os que gostam de gente
engravatada...
Minha crença não muda. Ainda vejo as crianças De mãos dadas com a vida. Sorrio com elas Quando caem no chão.
Minha crença não muda. Não cortarei os sonhos de ninguém Com indagações sobre as impossibilidades. Nem partilharei comentários de que, se Deus Quisesse que o homem voasse Lhe daria um par de asas.
Minha crença não muda Quando todas às vezes que for defrontado Com os dilemas de que a vida não vale a pena Me opor. E ao opor-me, juntar-me àqueles que entendem Que a vida vale por si mesma. Mesmo se a felicidade não nos sorri às vezes.
Minha crença não muda. Mesmo caído, ou propenso a uma nova queda, Ter na alma o desejo de levantar novamente. Um irracional poderá até fazer coisas semelhantes, Mas o homem será sempre homem, Mesmo no pior estágio que se encontre.
Por maior que seja a tempestade Mais belo será o raiar da quietude. A luta justifica a vitória Mas a guerra não justifica a paz.
E inda que rodeado Pelas coisas mutáveis, Como a carne que envelhece, Ter nos dias a renovação Das coisas atemporais, Revogadas pelo amor que não tem marcas Expressivas do tempo.
Que a capacidade de continuar Seja o melhor conselho a dar e a ouvir. A fé ainda é mais forte que a esperança. Porque a esperança, por ser razão É a última que morre. A fé, por ser sobrenatural, É a primeira que ressuscita.
Gosto de poema que fala de ovo frito latido de cão e cheiro de queimado. Poema que com pequenos cortes vara as coisas pequenas fura a casca o odre rasga a placenta e deixa gotejar o fino sangue.
Enchê-lo de cachaça e de confidências. Esvaziá-lo da cachaça e enchê-lo mais ainda de confidências. Esvaziar-se. Não há limites para o copo, nele cabem todas as confidências. Há limite para a cachaça que ele deve conter. Doses pequenas, para não serem viradas de uma só vez. Até que a garrafa se esvazie e já não haja confidências para fazer. Até que o copo se esvazie da última gota da bebida e tenha ouvido a última palavra das confidências. Então o copo deve ser quebrado e jogado fora. Ele sabe demais