NOUTRATEZ


Dia 
sem poesia
não é dia
é noite escura

Mas a poesia
é noite escura


Adília Lopes



Escrito por Caio Carmacho às 14h16
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O mar: absoluto,
uma gota e já é mar.

Amor: absoluto,
uma gota e já é mar.


ana kehl de moraes



Escrito por Caio Carmacho às 11h57
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um barco
a motor
aposta corrida
com a gaivota
o mundo acaba
quando ganha


thiago gallego



Escrito por Caio Carmacho às 09h16
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poema acidental

foi há 14, 15 anos
quem sabe
você esqueceu de comprar o presente
de dia das mães e correu de última
hora em uma floricultura de esquina (a única
aberta na cidade)
e por falta de sensibilidade
comprou a primeira
que achou “a mais bonita”
e só em casa percebeu
que era de plástico
imediatamente desgostou-se da escolha
mas era tarde
e tudo na vida pede improviso
como o cartão redentor colocado
estrategicamente entre os galhos artificiais
em que se lia
'espero que você dure tanto
quanto essas flores'


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 15h45
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relançamento



Escrito por Caio Carmacho às 13h57
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pacto

depois de um tempo
já não existe mais trato
entre o corpo magro
e a água imprópria
para banho

entre o cosmos e o ser
não há diálogo

só a ideia limitadora
a definhar-se no espaço

formiga observada de cima
traçando rotas sinuosas
nas dunas da praia

quem és tu,

ponto impreciso
vagando a esmo no texto

quem sou eu pra julgar
sua existência
efêmera

dos 600 metros
de amor e ódio que nos separam


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 11h16
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idiossincráticos

batman, cê vai me usar hoje?

- não.

então só vou lavar o pé.

 

caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 11h18
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loop

o mundo é o museu
do mundo

fórmulas que se repetem
ad infinitum

o caminho mais fácil
nem sempre é
o melhor caminho

errar
errar
errar

ousar ser
até acertar


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 08h39
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cena do crime

o voo do pássaro
não é igual ao voo
da mosca

o voo da mosca
não possui a mesma carga
poética que o voo do pássaro

o voo da mosca é antes de
tudo ideológico
assim como a aparição
de uma barata

e foi assim que tudo aconteceu:
havia uma mosca e havia um
baygon

sinatra cantava ao fundo

fly me to the moon


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 09h30
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LANÇAMENTO SP

amigos imaginários,

convido todos para o lançamento paulistano

do meu debut poético:

neste sábado, dia 7,

a partir das 19h, no bar Canto Madalena.

 

a entrada é gratuita e o livro estará à venda por 25 pratas

(pagamento apenas em dinheiro ou cheque).

 

e para quem não puder ir, mas quer comprar o livro mesmo assim:

 

pelo site da editora - http://migre.me/gRJpG

ou se preferir com autógrafo-dedicatória:

caiocarmacho@gmail.com

 

abração & saravás!



Escrito por Caio Carmacho às 16h42
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a ideia era

ganhar muito dinheiro
com pouco esforço

primeiro, o voo sobre
a ilha perdida
em um oceano inamistoso

iríamos sumir
sem avisar ninguém

um helicóptero nos esperaria
à porta de casa

eu falaria algo do gênero: chegou a hora, neném
e você: vou pegar a câmera fotográfica

existe a sensação
de que um mundo novo
é possível

uma esperança aparente
e risível
de que o paraquedas
do delírio

se abrirá antes de chegarmos
ao ponto final

me dê a mão
me abraça
viaja comigo pro céu

e assim vamos viver
e morrer
na guarda do embaú
na muralha da china
no parque dos dinossauros
em uma cama com lençóis tão brancos
e limpos como os nossos sonhos
recém-perdidos


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 14h10
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#vemprapicareta2013



Escrito por Caio Carmacho às 12h03
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Não sei

Não sei porque diabo escolheste
janeiro para morrer: a terra
está tão fria.
É muito tarde para as lentas
narrativas do coração,
o vento continua
a tarefa das folhas:
cobre o chão de esquecimento.
Eu sei: tu querias durar.
Pelo menos durar tanto como o tronco
da oliveira que teu avô
tinha no quintal. Paciência,
querido, também Mozart morreu.
Só a morte é imortal.


Eugénio de Andrade



Escrito por Caio Carmacho às 20h16
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Mesa

Mais importante que ter uma memória é ter uma mesa
mais importante que já ter amado um dia é ter uma mesa sólida
uma mesa que é como uma cama diurna
com seu coração de árvore, de floresta
é importante em matéria de amor não meter os pés pelas mãos
mas mais importante é ter uma mesa
porque uma mesa é uma espécie de chão que apoia
os que ainda não caíram de vez.


Ana Martins Marques



Escrito por Caio Carmacho às 20h03
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Vietnã

Mulher, como te chamas? - Não sei.
Quando nasceste, tua origem? - Não sei.
Por que cavaste um buraco na terra? - Não sei.
Há quanto tempo estás aqui escondida? - Não sei.
Por que mordeste o meu anular? - Não sei.
Sabes, não te faremos mal nenhum. - Não sei.
De que lado estás? - Não sei.
É tempo de guerra, tens de escolher. - Não sei.
Existe ainda a tua aldeia? - Não sei.
E estas crianças, são tuas? - Sim.


Wislawa Szymborska



Escrito por Caio Carmacho às 19h11
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