NOUTRATEZ


o poema pergunta ao poeta como veio ao mundo

papai fez você de pau duro


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 19h56
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Assombros

Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.
Fora, não se dão conta os desatentos.
Entre a aorta e o omoplata rolam
alquebrados sentimentos.
Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.
Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.


Affonso Romano Sant'Anna



Escrito por Caio Carmacho às 18h22
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Só as mães são felizes


Você nunca varou
a Duvivier às 5
nem levou um susto saindo do Val Improviso
era quase meio-dia
no lado escuro da vida

Nunca viu Lou Reed
"Walking on the wild side"
nem Melodia transvirado
rezando pelo Estácio
nunca viu Allen Ginsberg
pagando michê na Alaska
nem Rimbaud pelas tantas
negociando escravas brancas

Você nunca ouviu falar em maldição
nunca viu um milagre
nunca chorou sozinha num banheiro sujo
nem nunca quis ver a face de Deus

Já frequentei grandes festas
nos endereços mais quentes
tomei champanhe e cicuta
com comentários inteligentes
mais tristes que os de uma puta
no Barbarella às 15 pras 7

Reparou como os velhos
vão perdendo a esperança
com seus bichinhos de estimação e plantas?
Já viveram tudo
e sabem que a vida é bela

Reparou na inocência
cruel das criancinhas
com seus comentários desconcertantes?
Adivinham tudo
e sabem que a vida é bela

Você nunca sonhou
ser currada por animais
nem transou com cadáveres?
Nunca traiu teu melhor amigo
nem quis comer a tua mãe?

Só as mães são felizes...




Escrito por Caio Carmacho às 13h01
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fuga de alcatraz

e de repente a gente arrisca
risca o fósforo sobre a monotonia
tchau colchão
zona de conforto
falsa alegria


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 20h13
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apenas um porco

na interminável tarde
de calor que mela e mata,
preso ao meu corpo tombado
sobre o carpete da sala
de onde pego, por vezes,
um suco ou um copo d'água
ao alcance das minhas patas,
sou apenas um porco
de cueca e ressaca.


bruno brum



Escrito por Caio Carmacho às 20h10
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férias frustradas

as trombetas da liberdade
soarão tão altas quanto as buzinas dos automóveis
de passeio

o sol irradiará sobre os calangos
e animais rasteiros de beira de estrada

a expectativa se perderá com as frequentes
ultrapassagens e calotas abandonadas

e mesmo assim, sensações de paz
e esperança tomarão os incautos espíritos

que seguirão obstinados e em marcha lenta
na pista única que leva até a praia

rá, a praia...
parece que é logo ali
bem longe de hoje


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 17h18
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genética

do pai
herdei o sobrenome
a falta de senso prático
e as mãos sem calos

a possível careca
alguns livros do italo calvino
hemorroida e dívidas hereditárias
de empreendimentos extintos

quero acreditar
que não sou a continuação de meu pai
ainda que o nariz e o sorriso
possam me denunciar


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 21h00
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deus não existe
mas também
não descansa
prótons
nêutrons
e
newtons

let's dance


arrudA



Escrito por Caio Carmacho às 15h50
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#OcupaRio - Poesia de Manoel de Barros from Rmaia on Vimeo.

 

manoel de barros por dudu pererê



Escrito por Caio Carmacho às 15h31
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sorver-te

gosto de ver-te derreter-te
para depois sorver-te
como um sorvete
de creme

a sua calda esfria a alma
mesmo ainda quente
quero absorver-te
deleite

a roupa cala
o que seu corpo fala

cada incerteza uma confirmação
eu fico triste quando evapora
o suor que você condensou

cada momento com você presente
fico esperando com ansiedade
os fluidos corporais que você vai deixar
pra trás


kassin



Escrito por Caio Carmacho às 14h26
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informe publicitário

é necessário dizer
em caráter de urgência
que a vida não é só alarde

que a coisa mais sensacional do universo
está em falta no mercado

que o horário de funcionamento
varia de acordo com o feriado

que o preço da prateleira
não corresponde com o do caixa

que ser eleito o bebê hipoglós amêndoas
é uma vergonha desnecessária

que a promoção-relâmpago
do amor-próprio
encerrou semana passada


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 11h22
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O que se odeia no índio

O que se odeia no índio
não é apenas o ocupado espaço.
O que se odeia no índio
é o puro animal que nele habita,
é a sua cor em bronze arquitetada.
A precisão com que a flecha voa
e abate a caça; o gesto largo
com que abraça o rio; o gosto de
afagar as penas e tecer o cocar;
O que se odeia no índio
é o andar sem ruído; a presteza
segura de cada movimento; a eugenia
nítida do corpo erguido
contra a luz do sol.
O que se odeia no índio é o sol.
A árvore se odeia no índio.
O rio se odeia no índio.
O corpo a corpo com a vida
se odeia no índio.
O que se odeia no índio
é a permanência da infância.




Escrito por Caio Carmacho às 11h11
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era uma vez... (ou 'o rolo compressor da história afetiva')

a mesma praça
o mesmo banco
já não existem mais

até as palmeiras imperiais
os carrinhos de pipoca
e os vendedores de balões
foram atropelados por escavadeiras
e leis de incentivo

viraram artefatos de museus
e antiquários

o elo entre gerações
aos poucos será esquecido

fotografia saudosa desbotada
no imaginário coletivo

 

caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 16h46
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estrondo

Gregorio Duvivier, Alice Sant'Anna, Paulo Henriques Britto e Chacal



Escrito por Caio Carmacho às 19h14
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Poema da necessidade

É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO.


carlos drummond de andrade



Escrito por Caio Carmacho às 18h39
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