NOUTRATEZ


DE LONGO CURSO

Minha alma descansa

na tua alma,

onde a luz jamais

desativada:

é um navio de longo

curso pela água.

 

Redonda a luz e nós

atracamos na foz

com o fundo calmo.

Em mim te almas

e te amando, eu almo.

 

Carlos Nejar



Escrito por Caio Carmacho às 11h28
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BORGES E EU

O outro, o que chamam Borges, é aquele a quem as coisas acontecem.
Caminho pelas ruas de Buenos Aires e paro por um momento,
talvez algo mecânico, para olhar para o arco de corredor
e para a ferraria elaborada no portal;
sei de Borges pela correspondência,
vejo seu nome numa lista de professores
ou num dicionário biográfico.

Gosto de relógios de areia, mapas, tipografia do século dezoito,
o gosto do café e a prosa de Stevenson;
ele compartilha dessas preferências,
mas de um jeito vaidoso que as transforma
em atributos de um ator.
Seria um exagero dizer
que o nosso relacionamento é hostil;
eu vivo, me permito continuar vivendo,
de forma que Borges possa produzir sua literatura,
e sua literatura me justifica.

Não é nenhum esforço para mim confessar
que ele tenha atingido algumas páginas de valor,
mas estas páginas não poderiam me salvar,
talvez porque
o que é bom não pertença a ninguém, nem mesmo a ele,
mais provavelmente à língua e à tradição.

Além disso, meu destino é perecer, definitivamente,
e somente algum instante de mim pode sobreviver nele.
Pouco a pouco, dou tudo a ele,
apesar de totalmente consciente de seu costume perverso
de falsificar e aumentar as coisas.
Spinoza sabia que todas as coisas
anseiam persistir sendo o que são;
a pedra quer eternamente ser uma pedra e o tigre um tigre.

Permanecerei em Borges,
não em mim mesmo (se é verdade que sou alguém),
mas reconheço menos de mim em seus próprios livros
do que em outros muitos
ou no hábil dedilhar de um violão.
Anos atrás tentei me libertar dele
e fui das mitologias aos subúrbios, aos jogos,
como se dispusesse de tempo infinito,
mas esses jogos agora pertencem a Borges e eu tudo perco.
E tudo pertence ao esquecimento, ou a ele...


Não sei qual de nós escreveu esta página.

 

Jorge Luís Borges



Escrito por Caio Carmacho às 12h13
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POESIA

Durante a novela das 8

 

Durante a novela das 8

qualquer edifício mais parece

um amontoado de TV.

 

 

(Val Borges)

 



Escrito por Val Borges às 21h07
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Inéditos e Dispersos

I

 

Enquanto leio

meus seios estão a descoberto.

É difícil concentrar-me

ao ver seus bicos.

Então rabisco as folhas deste álbum.

Poética

quebrada pelo meio.

 

II

 

Enquanto leio

meus textos

se fazem descobertos.

É difícil escondê-los

no meio dessas letras.

Então me nutro das tetas

dos poetas pensados

no meu seio.

 

Ana Cristina Cesar



Escrito por Caio Carmacho às 07h55
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POESIA E CACHAÇA


"Há dias que eu não sei o que me passa
Eu abro o meu Neruda e apago o sol
Misturo poesia com cachaça
E acabo discutindo futebol..."


(Vinícius de Moraes & Toquinho)


Poesia e Cachaça...
recital de poesias que visa abrir espaço
para mostrar a nova produção poética dentro da Universidade (UFF),
sempre com uma participação especial e degustação de cachaça após o recital.


Com os poetas:

Diana de Hollanda (Cinema)
Igor Fagundes (Jornalismo)
Letícia Pantoja (Prod. Cultural)
Tchello Melo (Prod. Cultural)

Participação especial: Mano Melo

Apresentador e mediador: Professor Antônio Serra

Universidade Federal Fluminense
IACS - Instituto de Arte e Comunicação Social
(próximo à Cantareira)


Até lá...




Escrito por Caio Carmacho às 17h44
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Soneto Cacoépico - Glauco Mattoso

 

 

É má cacofonia “heróico brado”,

que faz o nosso hino ser por cada

macaco no seu galho de piada

motivo, mito presto profanado.

 

Galhofo quando grafo “deputado”,

um réu por cuja mãe a pátria brada

e cuja nota tem que amar melada

a puta que a recebe de ordenado.

 

Por ti gela meu pinto, e por ti são

meus bagos esmagados qual sardinha,

ó língua de tão baixo palavrão!

 

Dos cacos que cuspi, calou Caminha

A mim toca, contudo, uma questão:

Se já Camões fez caca em “Alma Minha”...



Escrito por Caio Carmacho às 14h29
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MAIS UMA DE CAMPINA GRANDE, PARAÍBA

Hipocondríaco (ou última missiva)

 

Finado dia sarcástico,

regresso à este antro, deveras fatigado.

Ando cabisbaixo, com a urticária

no meu encalço.

 

Súbito, vejo que ratazanas seguem meu passo.

São amigas, únicas na minha vida,

únicas na minha sina.

Privado da sorte, rogo que a leptospirose me cause a morte.

 

Disentérico, acabo-me em sanguinolentas borras.

Pelos canos, esvai-se um pouco de mim.

À contragosto, mantenho os olhos abertos,

 

mesmo assim.

 

Pior que deixar de viver, é continuar a morrer.

Por isso, decidi nunca mais amanhecer.

 

(Olímpio de Moraes Rocha )



Escrito por Val Borges às 21h29
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"Esse floreio

de mal-amar não existe.

Amo muitos

sem ser ninguém".

 

Caio Carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 12h24
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PÔ, É ZIA!

Qualquer conversa

supera o trivial

sobre a mesa

copos e algum sal

pra rebater a cerva

pra debater qual

quer papo que se conserva

na proesia de Val.

 

Tchello Melo

Escrito por Val Borges às 20h21
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São Cosme e Damião, Roberto e Erasmo

 

No dia de São Cosme

E Damião

Há doces que se cospem

De antemão

Eu corria muito atrás

Quando era menino

Gostava de ler o Atlas

E decorar o nosso hino

Agora ouço Roberto e Erasmo

E admito não pouco pasmo

Que todos estão surdos

E a gentileza soa um absurdo.

 

Tchello Melo

Escrito por Val Borges às 20h19
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Beldade

Impressionei

tua beleza.

Volúpia,

suada carne...

Quando questionado seu segredo

confidenciou em frase suspirosa:

- Sou isso e mais nada.

Em sua boca mole jaziam flores.

 

Caio Carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 16h50
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POESIA DE CAMPINA GRANDE - PARAÍBA

Amar é...

Amar é espremer tua acne,

É te beijar

Sem sequer se escovar.

 

Amar é contemplar

Teus cabelos desgrenhados,

Impossíveis de pentear.

 

Amar é dividir o flato,

Sem reclamar.

 

É cuspir no prato de sopa,

e depois tomar.

 

Amo-te, mesmo com as frieiras,

Panos-brancos e coceiras...

 

Ah, como é bom te amar.

 

(Olímpio de Moraes Rocha)

Escrito por Val Borges às 19h04
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EXPOSIÇÃO

HERANÇAS DO SAMBA

A exposição multimídia nos mostra a grande importância do samba dentro do cenário brasileiro - carioca em particular. Podemos ouvir clássicos desde 1917 (ano de gravação do primeiro samba) até o presente ano. Há ainda filmes e debates entre sambistas, uma sala com uma reprodução de uma oficina de luthier, uma sala onde é possível acompanhar passos da dança, uma reprodução do Sambódromo (com animação) e muitas outras coisas. Toda a exposição acontece dentro de um espaço onde se forma a palavra samba. “Quem não gosta de samba / bom sujeito não é / é ruim da cabeça ou doente do pé”.

Centro Cultural dos Correios

Centro – Rio de Janeiro

Entrada franca – até 24 de outubro

Escrito por Val Borges às 16h30
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CHICO BUARQUE – O TEMPO E O ARTISTA

A mostra em comemoração aos 60 anos de Chico Buarque reúne fotos, textos, correspondências (com Tom, Vinícius etc.), livros lidos e escritos pelo autor e várias anotações originais de canções que se tornaram verdadeiros hinos, além de inúmeras entrevistas e apresentações de vários períodos de sua carreira. Pode-se ainda ouvir músicas de grandes sambistas que o influenciaram, além de toda a sua obra desde a década de 60 até os dias atuais. Imperdível.

Biblioteca Nacional

Cinelândia – Rio de Janeiro

R$ 4,00 (estudantes e professores pagam meia entrada) – até 23 de outubro

Escrito por Val Borges às 16h29
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