NOUTRATEZ


p..o..e..s..i..a???

Melancolia,

Sigo seus passos sem enxergá-los
Sinto seu cheiro sem conhecê-lo
Te acaricio sem senti-lo
Te quero mesmo sem sabê-lo

Melancólico prazer...
Mas, o que alimenta o meu ser?

Saber que a paz estará naquele lugar
A cada vez que por ali eu passar.
Saber que a fabulosa Estrada do Joá
Me traz o alívio de observar o mar.

Melancólica visão...
Porque não me jogo e saio dessa prisão?

Talvez pela esperança
De uma breve e leve trança
Formada por nossos corpos
que se encontram após a tão esperada dança.

Melancólica esperança...

De ter uma contra-dança
Depois de desenhado por minhas mãos
E ter vida em minha imaginação.

De te fazer real e presente,
mesmo que não no agora, mas em outr'hora

De te levar até o meu quarto
e te mostrar minhas fotos
Te apontar meus melhores amigos
com um perfeito sorriso

De que valeria estar aqui sem ela?
Essa melancolia que direciona meus passos
Que me faz procurar teus abraços.
Com a força de uma fera e a beleza de uma pantera.

Se perdesse essa esperança.
Se soubesse que não existe.
Seria apenas mais uma ... dessas bem medíocres.




Roberta Valente
26.01.05


Escrito por Caio Carmacho às 09h02
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Olhai e olhei

Dêem uma conferida nesse artigo que escrevi
para a revista eletrônica,
Eletroliterária,
sobre
a galera dos
Supercordas.

Só. Raios!


p.s.: os nomes estão linkados. Valeu!


Escrito por Caio Carmacho às 14h02
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Primeira do ano

Gosto quando voas.

Também gosto quando caminhas sob a terra.



Seus pés corretos têm a leveza de folha seca.

Desnecessário lentes para flagrar seus gestos, tão meus.



É tarde.

É tarde e você chegou cedo.



Dentro da noite veloz seu corpo de calor e calma

é manso como o mar de minha infância.



De modo que mergulhar em você

é voltar à inocência.



Na noite cai o dia

como eu em seus olhos negros.



Gosto de ti porque tu estás quando não és

e és quando não estás.



Gosto de ti porque tu és (sendo).




(Val Borges - Rio, 17-01-05)




Escrito por Caio Carmacho às 12h48
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- Regressar inevitável regresso
(em maleita vocabular)



Papel
se amassa
entreolha
procura sentido pleno
em seu branco espaço

O sonho
as palavras
o sonar branco palavra
guardava em si
pessoa que sonha
palavra ausente
papel
espaço
devaneio
infinito

Sonhar, sonhador
desbunde da existência
aquiloutro que num papel não cabe
não cabia.

Isso foi antes,
o mar virou seus braços.

Desilusão
é o etermo retorno
ao inevitável
bloco de notas,
impedido de compelir tudo
que meus olhos vertem.

Palavras vão despencando...



Caio Carmacho


Escrito por Caio Carmacho às 10h25
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Matéria da Poesia



1.

Todas as coisas cujos valores podem ser
disputados no cuspe à distância
servem para poesia

O homem que possui um pente
e uma árvore
serve para poesia
(...)

O que é bom para o lixo é bom para a poesia

Importante sobremaneira é a palavra repositório;
a palavra repositório eu conheço bem:
tem muitas repercussões
como um algibe entupido de silêncio
sabe a destroços

As coisas jogadas fora
têm grande importância
— como um homem jogado fora

Aliás é também objeto de poesia
saber qual o período médio
que um homem jogado fora
pode permanecer na terra sem nascerem
em sua boca as raízes da escória

As coisas sem importância são bens de poesia

Pois é assim que um chevrolé gosmento chega
ao poema, e as andorinhas de junho.

2.

Muito coisa se poderia fazer em favor da poesia:

a — Esfregar pedras na paisagem.
b — Perder a inteligência das coisas para vê-las.
(Colhida em Rimbaud)
c — Esconder-se por trás das palavras para mostrar-se.
d — Mesmo sem fome, comer as botas. O resto em
Carlitos.
e — Perguntar distraído: — O que há de você na
água?
f — Não usar colarinho duro. A fala de furnas brenhentas
de Mário-pega-sapo era nua. Por isso as
crianças e as putas do jardim o entendiam.
g — Nos versos mais transparentes enfiar pregos sujos,
terens de rua e de música, cisco de olho, moscas
de pensão...
h — Aprender a capinar com enxada cega.
i — Nos dias de lazer, compor um muro podre para
caramujos
j — Deixar os substantivos passarem anos no esterco,
deitados de barriga, até que eles possam carrear
para o poema um gosto de chão - como cabelos
desfeitos no chão — ou como o bule de Braque
— áspero de ferrugem, mistura de azuis e ouro
— um amarelo grosso de ouro da terra, carvão de
folhas.
l — Jogar pedrinhas nim moscas...
(...)


Manoel de Barros


Escrito por Caio Carmacho às 11h10
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A Vênus e o Poeta

Vênus, amada por um poeta desnorteado
Na Praia meus olhares já a detiveram
Como flores exala, quando passo calado
Pr'um marujo arfar desejos que se encerram

Mares turbulentos, mares vazios
Vênus desnorteia ainda mais o curso
A desfilar indolente assoriando rios
Formando uma enchente de espasmo e susto

Se sente na vivacidade de amar e odiar
Os percalços humanos inda que inviáveis
Espezinhando versos que não irão sanar
Mas precisos, quando não imprestáveis

Vênus, sempre a mão sem dedos estende
Mas a mim um sorriso neve se mostra
Pelo coração do oceano não se vende
E vende os dentes como quem prostra

Dos lábios fremente desmente o perigo
Vênus traz consigo um ar de tolerância
Saciando a boca em que prefere ser amigo
A aceitar uma clemência por mendicância

Agora dos gargalos rotos tem ouvido
O gargalhar ensandecido de quem gasta
Escrevendo a história que tem sido
De quem aceita o beijo da nefasta

Poeta traz em Vênus eflúvio de memória
Da tua boca que não sangra, não verte
Pois o ato de beijar tirou-lhe a glória
Num manto monólogo agora se veste

Deitando no rijo chão de areia
Poeta desconsolado desgraça o acaso
Nos meandros vis que a vida delineia
Lábios tornaram prazer em fracasso

Poeta, impulsionado a irmanar os cabelos
Que sacudidos transpassam unhas e dissabores
Vezes prendem por medo reais em vivê-los
Ora em utopia, descendendo quão dores

Consagra a derrota em aspecto frívolo
Poeta enganado mantém a austeridade
Os olhares condenam o peito sísmico
Que já não ama sofrendo de insanidade

Ontem foi ver o final num precipício
A seiva mórbida inda sulca os lábios secos
E escarra no abismo o seu cuspe vício
Dizendo adeus aos erros intrínsecos

Vênus, Poeta, vissicitudes, incongruências
Que ocaso seria se não existissem?
Morte, vida, beijos e pendências
Que Deus os perdoem se pedirem.




Flávio D'Araújo

Escrito por Caio Carmacho às 12h38
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Reflexão N.1

Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
Nem ama duas vezes a mesma mulher.
Deus de onde tudo deriva
É a circulação e o movimento infinito.

Ainda não estamos habituados com o mundo
Nascer é muito comprido.


Murilo Mendes


Escrito por Caio Carmacho às 08h27
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"Casos da negra velha" - Raul Bopp

A floresta inchou

Uma árvore disse:
- Quero virar elefante,
E saiu correndo no meio do mato

Aratabá-becúm

Aquela noite foi muito comprida
Por isso é que os homens saíram pretos

Escrito por Caio Carmacho às 13h18
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