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A maçã no escuro
Era um cômodo grande, talvez um armazém antigo, empilhado até o meio de seu comprimento e altura com sacas de cereais. Eu estava lá dentro, era escuro, estando as portas fechadas como uma ilha de sombra em meio do dia aberto. De uma telha quebrada, ou de exígua janela, vinha a notícia da luz. Eu balançava as pernas, em cima da pilha sentada, vivendo um cheiro como um rato o vive no momento em que estaca. O grão dentro das sacas, as sacas dentro do cômodo, o cômodo dentro do dia dentro de mim sobre as pilhas dentro da boca fechando-se de fera felicidade. Meu sexo, de modo doce, turgindo-se em sapiência, pleno de si, mas com fome, em forte poder contendo-se, iluminando sem chama a minha bacia andrógina. Eu era muito pequena, uma menina-crisálida. Até hoje sei quem me pensa com pensamento de homem: a parte que em mim não pensa e vai da cintura aos pés reage em vagas excêntricas, vagas de doce quentura de um vulcão que fosse ameno, me põe inocente e ofertada, madura pra olfato e dentes, em carne de amor, a fruta.
Adélia Prado
Escrito por Caio Carmacho às 09h51
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Novas nem tão novas
A matéria escrita sobre a Flip tá rolando solta. Quem quiser lê-la na boa, tão aí alguns links onde pode ser encontrada, isso fora o jornal Gazeta de Piracicaba.
Eletroliterária
Os Doze
Gaitêros
Cultura Piracicaba (logo, logo)
Pra quem tiver de olho, valeu aí.
Escrito por Caio Carmacho às 09h49
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Buteco
O que me entristece, não são os cinco reais gastos Mas a alegria transbordando a latrina
Caio Carmacho
Escrito por Caio Carmacho às 10h21
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Confusão de sentidos
Experimento com a visão
Sinto com a audição
Vejo com o olfato
Ouço com o tato
Toco com o paladar
Eu amo!
(Val Borges - Rio, 15-07-05)
Escrito por Val Borges às 21h34
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= Relicário =
"No baile da Corte Foi o Conde d’Eu quem disse Pra Dona Benvinda Que farinha de Suruí Pinga de Parati Fumo de Baependi É comê bebê pitá e caí".
- Oswald de Andrade in: Poemas da Colonização –
Escrito por Caio Carmacho às 13h17
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ADVOGADO MORRE, MAS NÃO SANGRA
Pedaço da matéria-Flip que escrevi pro jornal Gazeta de Piracicaba.
Em breve, galera dozeana ou não, poderá conferir na íntegra.
"Essa viagem nos é vital, até porque toda viagem é um processo de encontro. Reencontro com o que se quer encontrar. Sempre lá no fundo, nós mesmos (renovados por novos horizontes e possibilidades). Essa é a verdade: mostrar que realmente somos humanos e amamos quando nos revelam nossas intensidades; que somos capazes de sonhar, transcender e realizar (interna ou externamente) nossas fantasias..."
É só e é muito mais. Raios pra todos!
Escrito por Caio Carmacho às 13h15
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NA FLIP? NEM SEI
Cabaré Literário

Tamo aí mandando brasa.
Escrito por Caio Carmacho às 09h26
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Cirrose poética
A poesia vem engarrafada. Vamos exagerar na dose, para que nossa ressaca
seja vitalícia e a cirrose poética apareça em nossos olhos e em nossos corações.
(Val Borges)
Escrito por Val Borges às 18h01
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"Olho muito tempo o corpo de um poema"
olho muito tempo o corpo de um poema até perder de vista o que não seja corpo e sentir separado dentre os dentes um filete de sangue nas gengivas
Ana Cristina Cesar
Escrito por Caio Carmacho às 10h28
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