NOUTRATEZ


- Insomnia



Quanto menos
horas
vagas
cigarros
vagam
vagos
manhã
botão
botão
silêncio
botão
quero quando...

menos sobra
sombra
mesmo vejo
vida
música, poesia
nos jardins dos jamais
quando certo...

debruçam cafés,
invertem meu pensamento,
ciscando de desvario:
impossível imaginar
algo que
não se consuma
impossível
na medida exata
e impossível do teu beijo
impossível

sempre assim

matam-me
lenta
só por existir
mente
mente
mente
a paixão...


Caio Carmacho


Escrito por Caio Carmacho às 09h22
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LOGO


Como um terceiro olho
Sobre os cegos voluntários
Ligou-me logo
Atendi ao chamado
Todos no mesmo barco
Demorei um bocado
Mas entendi o recado
Não é receita de bolo.


Tchello Melo

09.07.05



Escrito por Caio Carmacho às 14h29
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Meu pai

meu pai foi
ao Rio se tratar de
um câncer (que
o mataria) mas
perdeu os óculos
na viagem

quando lhe levei
os óculos novos
comprados na Ótica
Fluminense ele
examinou o estojo com
o nome da loja dobrou
a nota de compra guardou-a
no bolso e falou:
quero ver
agora qual é o
sacana que vai dizer
que eu nunca estive
no Rio de Janeiro.

(Ferreira Gullar)



Escrito por Val Borges às 19h20
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A declaração sem nome



Goiabas ela me disse.
Respondi: - Compreendo, me vê duas.
Peguei e saí andando.
Nada demais; chuchu beleza - tomate maravilha.

Só queria saber o porquê daquele morro e ele se nega
a dizer qualquer parada natural, amiga.
Complexo de complexos sabe. Testículos inimigos.

A ponte tava ali e você e eu também.
De repente, sem muito gasto, viramos ponte
(e todo mundo de passagem viajou com certas viagens).
Na horizontalidade das coisas,
a ponte acima das cores
multiplicava tudo.

Essa chuva que molha é a mesma que te faz dançar.
E você, na minha cabeça,
sempre foi uma ponte a dançar na chuva.



Caio Carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 11h52
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Quando o Carnaval Chegar


Quem me vê sempre parado, distante, garante que eu não sei sambar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Há quanto tempo desejo seu beijo molhado de maracujá
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar...


Chico Buarque

Escrito por Caio Carmacho às 09h19
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Ladainha Impura



Perdido no mar,
Perdido na terra,
Perdido no céu,
Rasguei teu vestido,
Roubei teu anel.

Perdido no mar,
Perdido na terra,
Perdido no céu,
Ornei-te a cintura
De conchas azuis.

Perdido no mar,
Perdido na terra,
Perdido no céu,
Sapatos de vidro
Calcei nos teus pés.

Perdido no mar,
Perdido na terra,
Perdido no céu,
Senti o teu corpo
Morrendo no meu.

Perdido no mar,
Perdido na terra,
Perdido no céu,
Marquei no teu seio
A estrela do mal.

Perdido no mar,
Perdido na terra,
Perdido no céu,
Beijei tua sombra,
Teus passos segui.

Perdido no mar,
Perdido na terra,
Perdido no céu,
De manso alcancei
Teu leito sem dono.

Perdido no mar,
Perdido na terra,
Perdido no céu,
Abri no teu ventre
A cova do amor.



Di Cavalcanti


Escrito por Caio Carmacho às 15h26
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Intervalo Amoroso

 


 

O que fazer entre um orgasmo e outro,
quando se abre um intervalo
sem teu corpo?

Onde estou, quando não estou
no teu gozo incluído?
Sou todo exílio?

Que imperfeita forma de ser é essa
quando de ti sou apartado?

Que neutra forma toco
quando não toco teus seios, coxas
e não recolho o sopro da vida de tua boca?

O que fazer entre um poema e outro
olhando a cama, a folha fria?

É como se entre um dia e outro
houvesse o vago-dia, cinza,
vida igual a morte, amortecida.

O poema, avulso gesto de amor,
é vão recobrimento de espaços.
O poema é dúbia forma de enlace,
substitui o pênis
pelo lápis
                - e é lapso.

 

(Affonso Romano de Sant’Anna)



Escrito por Val Borges às 21h53
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Sintonia para pressa e presságio


Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na alma, na pétala,
luz do momento.
Sôo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.

Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.



Paulo Leminski


Escrito por Caio Carmacho às 09h01
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- Coqueiro


Eu me nego,
eu me rendo,
eu me entrego,
eu te amo
e te rego
com coqueiros,
com coqueiros,
com Coqueiros...


Caio Carmacho

Escrito por Caio Carmacho às 10h39
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Tento


Tempo teima em delimitar-me em medidas
Tenta em vão consumir-me em instantes
Trama a continuidade, mas peca em sua latência
Tempo se consome, autofágico
Tempo volta-se contra a sua hemorragia de medidas
Trêmulas feito um ponteiro débil de um relógio tenso
Tempo tem em sua contagem a atemporabilidade do desassossego
tempo inteiro, tempo em parte, tempo intenso pulsar de um tolo consenso
tempo tem em si o silêncio, e aí está a sua ausência
tempo cede ao espaço e este rui
desfaz-se
cessa
ao tempo e ao seu reflexo, o espaço
resta o frágil rastro da tênue existência
o roto frasco da consciência
o lasso passo da conveniência.


Pablo Villa Secca 16.05.05


Escrito por Caio Carmacho às 15h00
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Cogito


eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.


Torquato Neto


Escrito por Caio Carmacho às 14h58
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Matriz ou Filial

Quem sou eu
Pra ter direitos exclusivos
Sobre ela
Se eu não posso sustentar
Os sonhos dela
Se nada tenho
E cada um vale o que tem

Quem sou eu
Pra sufocar a solidão da sua boca
Que hoje diz que é matriz e quase louca
Quando brigamos diz que é a filial

Afinal
Se amar demais passou a ser o meu defeito
É bem possível que eu não tenha mais direito
De ser matriz por ter somente amor pra dar

Afinal
O que ela pensa conseguir me desprezando
Se sua sina
Sempre é voltar chorando
Arrependida me pedindo pra ficar



Lúcio Cardim na voz do excelentíssimo Jamelão

Escrito por Caio Carmacho às 09h32
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A rosa de Hiroshima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.


Vinícius de Moraes

Escrito por Caio Carmacho às 13h47
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À eleita:

Não precisam palavras imprecisas.

Quero amar de nada,
Quero amor de muito,
Quero o amor que ama.



Caio Carmacho


Escrito por Caio Carmacho às 16h42
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