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americanos
filho entra na casa do pai
pai está no sofá sem esperá-lo
filho diz que aos quarenta
sente-se adulto
e pelo controle remoto do televisor
diminui a algazarra do campeonato nacional
filho recosta a cabeça no colo do pai
os dois também são essa luz mal sintonizada
uma sombra (a sombra de pé junto à escada)
tem olhar de onde, em UHF, tremem os dois
a tela vinte e nove escama e a parede engole
o pai tem uma ereção
Paulo Scott
Escrito por Caio Carmacho às 14h06
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respeitável público
apresento muy desabutinadamente
uns textículos que acabo de fazer:
os meus... mexidos.
Chacal
Escrito por Caio Carmacho às 09h19
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Uma pá de cal
uma pá de cal por favor! para que eu possa enterrar todo o meu desânimo, minhas frustrações, decepções. esquecê-las definitivamente para que eu possa finalmente ter objetivo, para que eu possa olhar para a frente
mas que não seja com um sorriso idiota e indiferente à situação quero querer o certo nem que seja numa bilionésima fração de segundos quero todas, quero o mundo
mas se passou inha fração de segundo e tudo voltou ao normal continuo na minha depressão sem resolver a situação e pedindo uma pá de cal...
Halisson Oliveira
Escrito por Caio Carmacho às 08h59
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Picanha mal-passada
- No colo do instante -
olhe, veja essa calçada
de pernas e passos
de lugaralgum
caminho entre quadros e ruas gordas da cidade
e em tom de alarde, vejo, me reconheço
ausente, alone, distante dessa natureza ora-agora-ora obscena de qualquer realidade
vaidade mesmo é essa paisagem interior que (sei não)
a n c ora se expande, me invade
feito aquela picanha estranha queu deixei de lapso na guisa da vida, no pasto do prato.
Caio Carmacho
Escrito por Caio Carmacho às 17h52
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Nova passante
1. sobre esta pele branca um calígrafo oriental teria gravado sua escrita luminosa - sem esquecer entanto a boca: um ícone em rubro tornando mais fogo suor e susto tornando mais ácida e insana a sede (sede de dilúvio)
2. talvez um poeta afogado num danúbio imaginário dissesse que seus olhos são duas machadinhas de jade escavando o constelário noturno: a partir do que comporia duzentas odes cromáticas - nas eu que venero (mais que o ouro verde raríssimo) o marfim em alta-alvura de teu andar em desmesura sobre uma passarela de relâmpagos súbitos, sei que tua pele pálida de papel pede palavras de luz
3. algum mozárabe ou andaluz decerto te dedicaria um concerto para guitarras mouriscas e cimitarras suicidas (mas eu te dedico quando passas no istmo de mim a isto este tiroteio de silêncios esta salva de arrepios)
Carlito Azevedo
Escrito por Caio Carmacho às 16h10
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José de Arimathéia
Escrito por Caio Carmacho às 15h42
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A Mosca
Minimosca Teu giro de verão Minha mão à toa Desmanchou.
Não sou eu Mosca também? Ou não és, Como eu, ninguém?
Pois eu danço E bebo e canto Até que brusca mão Me espanta.
Se pensamento É ar no peito E se é morte Perdê-lo,
Então sou Mosca feliz Se eu vivo Ou se vou
William Blake
Escrito por Caio Carmacho às 15h51
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(plu mas plu viais
:sonho de relva sob re selva &
que m pode ser tão
su !a! ve
?ni ngu ém)
e.e. cummings
Escrito por Caio Carmacho às 13h13
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Ponto Atlântico
. O Vazio Raso Vazante A vaia Entre Os dedos do dia Mudo É o grito Que estupra o negro útero Céu E faz desabotoar a madrugada
Lorena Magalhães
Escrito por Caio Carmacho às 12h37
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Sem moral: Maria toda
Chegar no precipício emplumado em bruma sentir aquele teu cheiro de pão Pullman e descobrir a verdade de Maria mareia Maria fosse toda uma Trindade.
Caio Carmacho
Escrito por Caio Carmacho às 15h22
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Soneto ao rapper
De cor, mulato, pardo, negro, preto. O branco é simplesmente branco, e só. Você quer mais respeito, não quer dó. Quer ser um cidadão, não quer o gueto.
No Sul, no Pelourinho, no Soweto, lutando contra o falso status quo da máscara, a gravata e o paletó: a letra é mais comprida que um soneto.
Seu canto já foi blues, quase balada; foi soul, foi funk e reggae; agora é bala perdida em tiroteio de emboscada.
Xerife do xadrez, você não cala: leva a periferia pra parada, de sola entra no som da minha sala.
Glauco Mattoso
Escrito por Caio Carmacho às 15h19
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O ab(surdo) não h(ouve)
Walter Franco
Escrito por Caio Carmacho às 13h33
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Strip-tease
Jamais eu ficaria quieto sob o teu olhar;
que muito menos quietos, no direito de ir e vir, sobre o teu corpo, seriam os meus olhos lívidos.
Porque sobre mim, bastam os sons dos teus vestidos: já me desvestem a alma.
Soares Feitosa
Escrito por Caio Carmacho às 10h19
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Compadesce
O que vale É a palavra de dentro Que além de palavra, puro sentimento
Palavra prenha Na zorra Que se encerra No expressar dum Porra!
Caio Carmacho
Escrito por Caio Carmacho às 14h00
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DESOVEI REPETECA

Tá disponível graças a Bruna Beber um poema meu no novo site literário Cortiça.
Podem conferir que o site tem muita coisa de qualidade.
Pra chegar lá, só clicar na imagem ou aqui.
Brigadão criôla!
Beijos e raios!
Escrito por Caio Carmacho às 14h59
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Voxê janela
Importa não o que sei mas o que sinto
O que sinto não sabe existir sem saber
e é isso que importa sentir pra existir
sentir pra existir sentixistindo...
Caio Carmacho
Escrito por Caio Carmacho às 14h11
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Chove.
Chovem pensamentos
desatentos, contemplativos.
Chove...
chovem choros de um arrependido
pelo que não fez perdido...
Chovem desejos, ardentes desejos,
carentes pelo teu ser.
Chove mais do que deveria,
mais do que essa mente arredia
poderia dizer.
Olímpio Rocha
Escrito por Caio Carmacho às 10h42
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- Ruivão da ilha duein
Cabelos ao sol sem água e sonrisal me veio à cabeça aquele som que podia ser Magal: amor salgado, amor de mar é dos males o bemol.
Caio Carmacho
Escrito por Caio Carmacho às 14h35
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Décima elegia
Só na velhice o vento não ressuscita. A água dos olhos entra na surdez da neve e escuta a oração do estômago, dos rins, do pulmão.
O sono desce com a marcha dos ratos no assoalho. Tudo foi julgado e devemos durar nas escolhas.
Só na velhice os grilos denunciam o meio-dia. O exílio é na carne.
Esmorece o esforço de conciliar a verdade com a realidade. A neblina nos enterra vivos.
Só na velhice o pó atravessa a parede da brasa, o riso atravessa o osso. Deciframos a descendência do vinho.
Os segredos não são contados porque ninguém quer ouvi-los. O lume raso do aposento é apanhado pela ave a pousar o bule das penas na estante do mar.
Só na velhice acomodo a bagagem nos bolsos do casaco. O suspiro é mais audível que o clamor.
Recusamos o excesso, basta uma escova e uma toalha.
Só na velhice os músculos são armas engatilhadas. O nome passa a me carregar.
É penoso subir os andares da voz, nos abrigamos no térreo de um assobio. Pedimos desculpa às cadeiras e licença ao pão.
O ódio esquece sua vingança. Amamos o que não temos.
Só na velhice digo bom-dia e recebo a resposta de noite. Convém dispor da cautela e se despedir aos poucos.
Só na velhice quantos sofrem à toa para narrar em detalhes seu sofrimento.
O pesadelo impõe dois turnos de trabalho. Investigo-me a ponto de ser meu inimigo.
Sustentamos o atrito com o céu, plagiando com as pálpebras o vôo anzolado, céreo, das borboletas.
Só na velhice há o receio em folhear edições raras e rasgar uma página gasta do manuseio. Embalo a espuma como um neto.
Confundimos a ordem do sinal da cruz. O luto não é trégua e descanso, mas a pior luta.
Só na velhice a forma está na força do sopro. Respeito Lázaro, que a custo de um milagre faleceu duas vezes.
O medo é de dormir na luz. Lamento ter sido indiscreto com minha dor e discreto com minha alegria.
Só na velhice a mesa fica repleta de ausências. Chego ao fim, uma corda que aprende seu limite após arrebentar-se em música. Creio na cerração das manhãs. Conforto-me em ser apenas homem.
Envelheci, tenho muita infância pela frente.
Fabrício Carpinejar in Terceira Sede
Escrito por Caio Carmacho às 17h05
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