NOUTRATEZ


Elegia morfológica



Toda vida queria ser advérbio

Ali, desprendido, acompanhando

O verbo, na moral, na boa, contente

Inteligente, matreiro, sestroso


Mas tenho sido um reles adjetivo

Sempre rebolado pelo sujeito

Normalmente sujeita, fria, reta

Concordando, sendo submetido...


Quem dera fosse um sujeito também

Mandando até no imponente e bom verbo

E também no adjetivo bunda-mole!


Mas advérbio é o que quero ser

Aqui, agora, eternamente o verbo

Floreando e remexendo o sujeito!


Rodrigo Rosa


Escrito por Caio Carmacho às 11h34
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A Seco


Tem coisas que a gente só diz de porre,
se não o outro corre;
mas passada a bebedeira,
a gente acha que fez besteira,
não devia ter falado,
que se expôs adoidado,
à toa e foi tolice.
Finge-se então que se esquece o que disse,
culpa-se a carência, a demência, a embriaguez,
responsáveis por tamanha estupidez.
E é aceitando este estranho cabedal
que quando se volta ao "estado normal",
cada vez mais sós, na defensiva,
corroídos morremos de cirrose afetiva.


Leila Míccolis


Escrito por Caio Carmacho às 17h30
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Fastio


Quando bato à porta da cozinha, é porque

sei que gostas de cozinhar. Se tu

foste uma folha de louro ou

um funil de rede, eu

trocaria meu pão com

manteiga por uma

xícara de

chá.


Olímpio Rocha


Escrito por Caio Carmacho às 13h46
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Puberdade


Pra que tanta ciência (?)
se só pelados,
despidos de pudores
encontramos nossa essência


Caio Carmacho

Escrito por Caio Carmacho às 14h43
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Devenir, devir


Término de leitura
de um livro de poemas
não pode ser o ponto final.

Também não pode ser
a pacatez burguesa do
ponto seguimento.

Meta desejável:
alcançar o
ponto de ebulição.

Morro e transformo-me.

Leitor, eu te reproponho
a legenda de Goethe:
Morre e devém

Morre e transforma-te.


Waly Salomão

Escrito por Caio Carmacho às 14h40
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Tudo é vago e muito vário

meu destino não tem siso,

o que eu quero não tem preço

ter um preço é necessário,

e nada disso é preciso


Paulo Leminski


Escrito por Caio Carmacho às 14h34
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Novela oiro e prata


Vi na tevê
a mesma estória:

escória
me dando
alta

- fiquei afetado
agora -

Não há
censura
na loucura

ainda
que plástica
e absurda

tudo não passa
da mais pura
cultura


Caio Carmacho

Escrito por Caio Carmacho às 11h41
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A VELA


A vela arde
contrita
na própria alvura
como corpo vivo
o órgão de corda
em mecânica simples
anima a luz.
No corpo de cera
a linha tesa
equilibra o fogo
dentro do próprio corpo
perfeita ampulheta
destino do fogo
animar e consumir
a própria carne.
A vela arde
contrita
na própria alvura
como corpo morto
algo escapa
fogo fugidio.


Maria Amélia Costa

Escrito por Caio Carmacho às 11h22
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poema trópico


queria tomar um café

com bananas

em companhia da gioconda

dos subúrbios


lhindonésia


minha parafernalha

a minha pilantrália

a minha tropilantra


dia amarelo de verão

céu azul

e meu amor vermelho

por lhindonésia


não vou chateá-la

falando do barquinho

de Ipanema

ou de cinema

novo


morena rosa, boca-de-ouro

mulher amada

maria ninguém

cheirando a abacaxi


encostada ao pau-brasil

me convida para ouvi-la

desafinar uma canção

sobre a tardinha.


Bruna Beber

Escrito por Caio Carmacho às 11h05
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Mendinga



Desde a
revolução da roda
ao bandaid,

a poesia vive
num apartheid

num enche barriga
nem mata lombriga

só é arte
o que for
de Marte


Caio Carmacho


Escrito por Caio Carmacho às 14h55
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p o e m a s u j o


turvo turvo

a turva

mão do sopro

contra o muro

escuro

menos menos

menos que escuro

menos que mole e duro menos que fosso e muro: menos que furo

escuro

mais que escuro:

claro

como água? como pluma? claro mais que clero: coisa alguma

e tudo

(ou quase)

um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas

azul

era o gato

azul

era o galo

azul

o cavalo

azul

teu cu


Ferreira Gullar

Escrito por Caio Carmacho às 14h44
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FARELO


O poema tem que ser sequinho
M A G R O
Se possível, nordestino:
desnutrido e valente.
Deve ser raquítico, definido:
Coureosso


Bruno Candeias


Escrito por Caio Carmacho às 14h36
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Compondo feito tonto


cada qual
me soa
inteiro

quanta
letra
me falta
um tanto

de ser
leve
o que
solto
é canto


Caio Carmacho

Escrito por Caio Carmacho às 16h42
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O Suicida


o suicida
vê na morte
um direito civil

mata
o que acha
imbecil

por uma utopia
causa
ou fantasia

o ato de matar-se
sutil
ou inconsútil

o caso
pouco divulgado
daquele homem

que bater pregos
no próprio cérebro
preferiu

o suicida
é o que não se repetiu


Régis Bonvicino

Escrito por Caio Carmacho às 16h23
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CAFÉ COM KAFKA



Tu
do
no mun
do
é
mu

vel

inc
lus
i
v
e
o meu
ca


so

vel


Caio Carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 08h18
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