Meu bisavô, no início do século passado,
aos 60 anos de idade, abandonou tudo e apareceu por aqui,
trazendo no colo uma adolescente para ser sua mulher:
uma enorme loucura...
Mas ele era um homem rebelde, um homem que não desistia.
Então abandonou tudo:
As propriedades e as impropriedades que a elas se ligam,
a esposa controladora, os filhos perplexos,
fazendas, noras, netos e velhas emoções...
Tudo por Vitalina:
por aquela menina delicada e de cabelos longos
ele abandonaria o mundo.
Por ela,
abandonou cabeças de gado
e todas as "certezas" que lhe haviam dado.
Jogou fora o velho baú de premissas usadas.
Pela possibilidade aberta de uma nova vida,
tomou aquelas decisões
que só os grandes homens conseguem tomar:
montou o cavalo negro do risco absoluto e partiu!
Já sabia que o único crime que não tem perdão
é desperdiçar a vida.
Abandonou tudo
para não ter que se abandonar,
para não ter que abandonar
a própria existência.
Não fosse por isso eu não estaria aqui, agora.
Sou, portanto,
bisneto da rebeldia.
Bisneto da rebeldia,
neto da emoção,
filho da loucura,
irmão do desejo,
primo do prazer,
amigo da liberdade
e amante
de todos os meus amores.
E existo, por incrível que pareça!
No céu da minha boca
não há fogos de artifício.
Só estrelas!
Edson Marques
Escrito por Caio Carmacho às 10h49
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