NOUTRATEZ


PODCAST PAVÃO




Gravei.

É o primeiro que faço,
porisso, peguem leve
comigo.

Mistura musgas e alguma poesia.



Tá linkado na imagem e aqui


Escrito por Caio Carmacho às 16h39
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O outro fosse eu



Queria que esses sentimentos
todos
fossem meus

(para quieto, só hoje me deleitar egoísta)

ser verde
e vento

ser amor
e medo

abstrair
do sentir

enfim

queria
ser você
e teu gozo
sem fim



Caio Carmacho


Escrito por Caio Carmacho às 11h45
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Borboleta


Um beijo

pelo corpo inteiro

ligeiro

deixou

uma borboleta roxa

mordida

na

coxa



Tânia Diniz

Escrito por Caio Carmacho às 11h37
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amor anfíbio


Mulher-rã
Anfíbia
Feita de extremos
oscila entre pólos
Doença?
Desorientação?
Metas arbitrárias
do poderoso gângster.
Estranho você
em sua paz de crocodilo
no calor do seu coração selvagem
aqueci minha existência
vazia
vulnerável
de rã
que vive
[frágil]
quebrando-se em duas.
Anfíbia
Duas vidas
Duas maneiras
Dois extremos
para te amar
Crocodilo.
De bom grado
eu te dou todo amor
que você merece
e toda a outra fração que você não merece.
Afinal
fiel e infiel
permaneci sua
mulher
Sua
Rãzinha.


[poema para o bem-amado-crocodilo, 03/07/05]


Sabina de Lis

Escrito por Caio Carmacho às 11h29
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Ato de contrição


Perdoe-me
por chegar assim, tão de repente
e encontrar-te assim, tão desprevenida

Perdoe-me
por não te dar tempo de me conheceres inteiro,
mas apenas o tempo inteiro tentar ser tudo aquilo
que – sei – tu gostarias que eu fosse

Perdoe-me
por tão subitamente adentrar teu corpo,
tenda, templo do espírito,
sem antes deter-me em cada detalhe
Bater à porta com suavidade
Encantar-me com os vasos na janela
Sentir todos os cheiros
e, devagar, ir penetrando com um sorriso

Perdoe-me
por, já dentro de ti, ter esquecido do essencial
Não ter percebido o quadro pendurado na parede
Não ter regulado o oxigênio dos peixes dourados no aquário
Não ter falado do retrato amarelado na mesa de cabeceira
Não ter me emocionado com o velho gramofone no canto da sala
e não ouvir as belas e tristes canções por ti sussurradas

Perdoe-me
por, ainda dentro de tua casa – tão próximo de tua alma –
não ter percorrido com brandura todos os cômodos,
mas apenas comodamente ter seguido meu próprio caminho

Perdoe-me
por, assim sozinho, tão impróprio ter sido,
quando melhor teria sido deixar que naturalmente fôssemos

Perdoe-me
por assim partir, deixando apenas inconsistência
em múltiplas formas de sonhos e esperanças

Perdoe-me, perdoe-me.


Raimundo Gadelha


Escrito por Caio Carmacho às 17h15
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Poetinha, poetheos


Vinícius

sente-ia

como

sinto

a sobra a sombra arroba

do ser

amante,

serámado

sendo som

em si

mesmado

- profundamente

inevitável...


Caio Carmacho

Escrito por Caio Carmacho às 11h26
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Minha Carta



Eu preciso mandar notícias
pro coração do meu amor
me cunzinhar
pro coração do meu amor
me refazer
me sonhar, me ninar, me comer,
Me cunzinhar
como um peru bem gordo
me cunzinhar
como um garrote arrepiado
um casal de pombas
que saiu da sombra.

Me cunzinhar
como um bezerro santo
canário preso
pra limpar o canto
luxa no alpiste
mas o trinado é triste.

Eu escrevo minha carta
num papel decente
quem se sente
quem se sente com saudade
não economiza
martiriza
Martiriza o pensamento
eu digo no papel
que o anel
no anel do pensamento
andei duzentas léguas
minha égua
minha égua esquipando
o peito me sacode,
cada golpe.

Nesse golpe do galope
que o envelope engole
cada gole
cada gole da lembrança
vale um tesouro
é besouro
é besouro que se bate
sempre na vidraça
quando passa
quando passa em pensamento
volta na saudade
toda tarde.

Eu preciso mandar
mandar notícia.

Ai, ai, ai, ui


Tom Zé


Escrito por Caio Carmacho às 11h31
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Passeio no bosque


o canivete na mão não deixa
marcas no tronco da goiabeira

cicatrizes não se transferem


Cacaso

Escrito por Caio Carmacho às 11h24
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Ruta graveolens - fragmento


tenho

seis

obses-

sões

sem

rosto


inventar uma cor que não exista. nem depois de inventada


coisar a solidão para um objeto que caiba na

terceiragaveta@domeuarmario


esquecer os caminhos dos meus cemitérios


fazer uma disneylândia das desistências. com brinquedos para todas as idades


viver uma vida sem sacolas


a sexta sou eu mesmo. em meus sonhos


tenho

seis

obses-

sões

sem

rosto


e uma fotografia sua


Arruda

Escrito por Caio Carmacho às 11h08
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dísticos


não há escritor maldito.
há leitores inéditos.

não há livros proibidos.
há censores sucumbidos.

não há versos afônicos.
há engenheiros eletrônicos.

mas há versos atônitos.
(new age. para o piano de john cage).

não há escritores perseguidos.
há profecias políticas.

não há versos torturados.
(eles professam. ou confessam).

não há autores recusados.
há editores em frankfurt.

não há poetas herméticos.
há leitores herméticos.

não há poesia profana.
há deuses heréticos.

não há nietzsche. kant. ou mesmo spencer.
mas há pesquisadores no playcenter.

não há hemingway ou faulkner.
(vertermos à noite os humores de johnnie walker).

não há autores esquecidos.
há professores no macdonald's

não há palavras obscenas.
há emoções que sangram. apenas.


Mafra Carbonieri

Escrito por Caio Carmacho às 13h08
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Idealista gratuito



tenho medo
de andar na rua
e nada pensar

minhas idéias
me botam à perigo

e num tem jeito

mais dia
menos dia
me fodem

14 estilhaços no peito


Caio Carmacho


Escrito por Caio Carmacho às 12h24
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 Meu bisavô, no início do século passado,

aos 60 anos de idade, abandonou tudo e apareceu por aqui,

trazendo no colo uma adolescente para ser sua mulher:

uma enorme loucura...



Mas ele era um homem rebelde, um homem que não desistia.

Então abandonou tudo:

As propriedades e as impropriedades que a elas se ligam,

a esposa controladora, os filhos perplexos,

fazendas, noras, netos e velhas emoções...



Tudo por Vitalina:

por aquela menina delicada e de cabelos longos

ele abandonaria o mundo.



Por ela,

abandonou cabeças de gado

e todas as "certezas" que lhe haviam dado.



Jogou fora o velho baú de premissas usadas.

 

Pela possibilidade aberta de uma nova vida,

tomou aquelas decisões

que só os grandes homens conseguem tomar:

montou o cavalo negro do risco absoluto e partiu!

 

Já sabia que o único crime que não tem perdão

é desperdiçar a vida.

 

Abandonou tudo

para não ter que se abandonar,

 

para não ter que abandonar

a própria existência.

Não fosse por isso eu não estaria aqui, agora.


Sou, portanto,

bisneto da rebeldia.

Bisneto da rebeldia,

neto da emoção,

filho da loucura,

 irmão do desejo,

 primo do prazer,

 amigo da liberdade

 e amante

de todos os meus amores.

E existo, por incrível que pareça!

No céu da minha boca

não há fogos de artifício.

 

Só estrelas!

 

 

 Edson Marques  



Escrito por Caio Carmacho às 10h49
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Lenço no pescoço


Meu chapéu do lado
Tamanco arrastando
Lenço no pescoço
Navalha no bolso
Eu passo gingando
Provoco e desafio
Eu tenho orgulho
Em ser tão vadio

Sei que eles falam
Deste meu proceder
Eu vejo quem trabalha
Andar no miserê
Eu sou vadio
Porque tive inclinação
Eu me lembro, era criança
Tirava samba-canção
Comigo não
Eu quero ver quem tem razão

E eles tocam
E você canta
E eu não dou


Wilson Batista


Escrito por Caio Carmacho às 12h34
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