NOUTRATEZ


ARIZONA NUNCA MAIS



Nunca pensei que estaria
vivo pra presenciar isso.

Tunico, meu querido bêbado
e comparsa erudito resolveu
enfim aderir ao cultivo
de blogues.

Não sei ao certo o que
pretende com isso,
mas não pude deixar de
ficar curioso.

Vá lá meu pequeno Varela, acabe
com todos eles!



O blog tá linkado na imagem e em Varela


Escrito por Caio Carmacho às 11h40
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Explicação de poesia sem ninguém pedir


Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.


Adélia Prado

Escrito por Caio Carmacho às 12h38
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Felicidade...


O que decide não é,
em primeiro lugar,
aquilo que o homem possui
ou não possui,

mas sim
o modo como ele sabe possuir
e não possuir...

quer dizer,

o que é decisivo
não é a maior
ou menor

quantidade

objetiva
das coisas

possuídas...

e sim,
a qualidade
do possuidor...

as quantidades externas
nos "acontecem",
- a qualidade interna
é criada por nós...


Thomas Campbell

Escrito por Caio Carmacho às 11h06
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Ode à ninfa


Atrevo-me
escrever
algo que da fala
sibila, escapa

sorrio
o sorriso incerto
da pessoa-palavra
exata

avulso à maneira
de saber-te
morena
marina
menina

que em prosa chinfrim
não caberia

nem num lume vago
de vagabundo
vaga-lume

ou no malandro verbo manjado

sem Marina perto
meu verso mundo livre
vira versus tédio chato



Caio Carmacho

Escrito por Caio Carmacho às 11h43
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Já que a vida é ilusória como um sonho,
Por quê nos atormentamos?
Prefiro beber até cair.

Foi o que ontem fiz.

Ao acordar, olhei em redor.
Um pássaro gorjeava entre as flores.

Roguei-lhe me informasse
sobre a estação do ano
e ele me respondeu
que estávamos na época em que a primavera
faz cantarem os pássaros.

Como eu já ia enternecendo,
recomecei a beber
cantei até a lua chegar
e de novo
tornei a perder a noção das coisas.



Li Tai Po


Escrito por Caio Carmacho às 11h06
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Por todo universo

eu sou caminhante

procuro em meu verso

esse amor tão distante...


Escrito por Caio Carmacho às 17h12
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Budapeste

 

 

 

O vazio

de espírito

vagava

envolto

a fome

de ser

 

ou ter?

 

nada

no

nada

mais

 

absurdo

saber

 

que

querer-te

 

nessa torpeza

de consumo ilimitado

 

iluminado,

 

feito etíope

cheinho de manias fashions

e fins rotulados

 

é agradar o ego e o tato

 

E o que que a mulher quer?

 

Essa é fácil!

 

um biquíni abstrato:

 

Budinhas e bolinhas

pra tudo

quanto é lado

 

 

 Caio Carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 15h31
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Desejar ser


Nasci para administrar o à-toa,
o em vão, o inútil.

Pertenço de fazer imagens.
Opero por semelhanças.
Retiro semelhanças de pessoas com árvores
de pessoas com rãs
de pessoas com pedras
etc etc.

Retiro semelhanças de árvores comigo.
Não tenho habilidade pra clarezas.
Preciso de obter sabedoria vegetal.
(Sabedoria vegetal é receber com naturalidade uma rã no talo.)
E quando esteja apropriado para pedra, terei também sabedoria mineral.

 

Manoel de Barros



Escrito por Caio Carmacho às 15h22
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na estrênua brevidade


Vida:


realejos e abril
treva, amigos
eu me lanço rindo.
Nas tintas fio-de-cabelo
da aurora amarela,
no ocaso colorido de mulheres

eu sorrisando
deslizo. Eu
na grande viagem escarlate
nado, dizendomente;

(Você sabe?) o
sim, mundo
é provavelmente feito
de rosas & alô:
(de atélogos e,cinzas)

 

e.e. cummings



Escrito por Caio Carmacho às 14h22
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Porquinho-da-Índia


Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.

Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!

Levava ele pra sala
Pros lugares mais bonitos mais limpinhos

Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.

Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...

— O meu porquinho-da-índia
foi minha primeira namorada.



Manuel Bandeira


Escrito por Caio Carmacho às 16h45
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Rodando a bossinha



Entre os dias
e horas marítimas,

descortinadas,

carcomidas

a cidade se desliga
feito vitrolinha

e existe algo
de suspeito,

uma fugaz vulgaridade
teatral

perdida


algo pralém
do que é corpo,
trabalho,
arte,
vida


existe o silêncio das coisas
que não precisam ser ditas

a mulher que gratuitamente
me mostra as tetas

só quer
naturalmente
ser reconhecida

e vai saber

umas duzentas
e quarenta
e três
noites

varadas à assaduras
& biritas.



Caio Carmacho


Escrito por Caio Carmacho às 13h32
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