POEMACTO
(...)
eu agora mergulho e ascendo como um copo. trago para cima essa imagem de água interna. - caneta do poema dissolvida no sentido primacial do poema. ou o poema subindo pela caneta, atravessando seu próprio impulso, poema regressando. tudo se levanta como um cravo, uma faca levantada. tudo morre o seu nome noutro nome.
poema não saindo do poder da loucura. poema com base inconcreta de criação. ah, pensar com delicadeza, imaginar com ferocidade. porque eu sou uma vida com furibunda melancolia, com furibunda concepção. com alguma ironia furibunda.
sou uma devastação inteligente. com malmequeres fabulosos. ouro por cima. a madrugada ou a noite triste tocadas em trompete. sou alguma coisa audível, sensível. um movimento. cadeira congeminando-se na bacia, feita o sentar-se. ou flores bebendo a jarra. o silêncio estrutural das flores. e a mesa por baixo. a sonhar.
Herberto Helder
Escrito por Caio Carmacho às 15h34
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