Aquele homem tinha um zoológico no armário. Um dia no almoço trouxe elefantes no peito até a cintura, no outro girafas rodeavam-lhe o pescoço. Houve joaninhas gatos e macacos. A todos ignorava embora os escolhesse com cuidado. E sem olhar-lhes pêlo ou pena sem deter-se em seus nomes a todos igualmente chamava gravatas.
Marina Colasanti Escrito por Caio Carmacho às 13h14
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o que passou pela cabeça do violinista em que a morte acentuou a palidez ao despenhar-se com sua cabeleira negra & seu stradivárius no grande desastre aéreo de ontem
dó ré mi eu penso em béla bartók eu penso em rita lee eu penso no stradivárius e nos vários empregos que tive pra chegar aqui e agora a turbina falha e agora a cabine se parte em duas e agora as tralhas todas caem dos compartimentos e eu despenco junto lindo e pálido minha cabeleira negra meu violino contra o peito o sujeito ali da frente reza eu só penso dó ré mi eu penso em stravinski e nas barbas do klaus kinski e no nariz do karabtchevsky e num poema do joseph brodsky que uma vez eu li senhoras intactas, afrouxem os cintos que o chão é lindo & já vem vindo one two three
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Angélica Freitas Escrito por Caio Carmacho às 21h15
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À deriva
Em pleno alto mar Perco-me de vista
Velas hasteadas, Mapa, bússola, astrolábio e radar Aguardo por alísios ventos Que me levem para longe Que me ponham a navegar
Saio à caça de algo Um arpão vara o céu Em meio ao nevoeiro Não encontro garrafas, barcos ou camaradas
Deitado na rede Uma voz grave me sussurra histórias de Iemanjá
Miro o céu sem estrelas E peço por alguém que me dê um sopro de ar.
quando eu vejo você com seus olhos de vaca sua vaca com seus grandes olhos de vaca sua grande vaca com seus olhos de vaca triste menina triste do meu amor
quando eu vejo você com sua gargalhada descarada seu cabelo de muito vento de mau tempo, de mau tempo menina triste do meu amor
sinto todo o amor sinto todo o terror do negror destes tempos