NOUTRATEZ


Como ela é

Haroldo de Campos



Escrito por Caio Carmacho às 21h40
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sobre o silêncio

 

 

hoje não viemos discutir projetos

hoje não viemos pedir

 

hoje viemos como alguém que visita sua casa

que vem contar à família

das dificuldades de se tecer a invenção

sobre o abismo que se abre para além do entretenimento

sobre o prazer que é lutar pelo que se acredita

 

hoje viemos dizer pra família

que não vamos mais terminar os estudos

e que nossa carne curtida, nosso olho vermelho,

nosso sorriso encarnado e, principalmente, nosso silêncio

dizem tudo

 

 

chacal



Escrito por Caio Carmacho às 18h39
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aihn?

não tenho a mínimidéia de qual foi o critério de seleção,

mas já que tá, que fique:



Escrito por Caio Carmacho às 16h22
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tempos modernos

o poeta de hoje em dia
só se sujeita à papelaria
para enviar cartas de caráter duvidoso
aos amigos

não por moda requinte saudosismo

na verdade é só pra ver
se sua correspondência íntima
um dia vira livro

caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 14h56
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quinhão

à mesa, como num tribunal
sob o juízo de nossa mãe
disputávamos, com fervor,
os melhores pedaços
da magra galinha

as irmãs menores,
cada qual com suas asas,
balbuciavam qualquer coisa
de bom
voando entre os dentes

o impasse era sempre
com as coxas:
duas
pra três admiradores

fora o confronto
tomei predileção
por peitos

o que freud explicaria
com a teoria das perdas
 
 


Escrito por Caio Carmacho às 14h19
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breve justificativa e uma lágrima argentina

 

dor de cotovelo e dor de corno

estão para a vida como leandro e leonardo

pra poesia

 

apesar de batido, todos participam

o tema é recíproco quando servido na mesa

à francesa

 

nunca lhe comedem a apatia dos detalhes

(quanto mais força e riqueza, mais belo o chifre)

 

uma conhecida mui íntegra de atitude

e personalidade anti-nelson rodrigueana

me disse assim sem nenhuma parábola aparente:

 

- terminei com o argentino; ele não merecia ser corno. ele não.

 

ainda que completamente plausível a sua justificativa

não pude deixar de pensar

na pequena máxima desses tempos atuais

 

‘quando o amor de um

é demais, carne com carne se trai’

 

caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 14h42
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seu sorriso quebrava minhas pernas,

e hoje. eu corro pela cidade.


ana, foolana



Escrito por Caio Carmacho às 13h57
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Para Ana C. e Caio e todos nós

 

Era preciso fazer alguma coisa
pesquisar todas as malhas dos signos
os mapas, os índicos até achar
era preciso estudar
atentamente os orixás
a possibilidade de viajar
tentar o mar
era preciso
escutar Keith Jarrett suavemente
sem se afogar
um som, um meio tom, um quadro na parede
luz de neón, e abrir um verde escandaloso na parede
paisagem que não se vê.
Por que você?
por que não qualquer um de nós que já tentamos tudo
que nos drogamos profundamente conscientes
perdidos no urbano da cidade
os olhos úmidos, a sensibilidade
de um nervo exposto, nos sentimos
metade depois.

Quem sabe os astros, as ondas de energia, as coincidências
os vôos interplanetários, uma idéia de resistência
uma coisa meio Blade Runner em volta
a gente de saco cheio de John Travolta
tentando achar a porta de saída
Nos vestimos de branco, tentamos escapar
com alternativas, chás naturais, respostas no I Ching
dança, poesia, artes marciais
andróides, liberdade, ecologia
músculos, danger, punk, micros, Nova York
toda ideologia é sempre tão contraditória
talvez a salvação viesse em naves espaciais
atari, eletrochoque ou a própria loucura
talvez saber chorar ajude muito.

Era preciso rever o lugar da emoção
o sexo, essa coisa delirante
escrever um relatório hite do avesso
que falasse de telefonemas noturnos, insônia
Metal pesado

Você devia ter se segurado em alguma coisa
uma moda, um discurso, uma idéia de si mesma
- uma paixão que fosse -
qualquer coisa
um mito, um guru, uma política
uma revolução, uma mentira
sei lá, alguma coisa pra se agarrar
talvez uma amiga como ela
um patamar
alguma coisa
antes de cair devagar
pela janela.

 

 

bruna lombardi



Escrito por Caio Carmacho às 14h41
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Superstar

by Sonic Youth

Escrito por Caio Carmacho às 21h39
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se um dia for anunciado
que no reino do céu tem
pão

quantos meninos
brasileiros
não se precipitarão?!

e partirão com famintos
devaneios...

presunto
café
requeijão
 
 
giovani baffo


Escrito por Caio Carmacho às 17h24
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Buquê de Presságios

 

De tudo, talvez, permaneça

o que significa. O que

não interessa. De tudo,

quem sabe, fique aquilo

que passa. Um gerânio

de aflição. Um gosto

de obturação na boca.

Você de cabelo molhado

saindo do banho.

Uma piada. Um provérbio.

Um buquê de presságios.

Sons de gotas na torneira da pia.

Tranqueiras líricas

na velha caixa de sapato.

De tudo, talvez, restem

bêbadas anotações

no guardanapo.

E aquela música linda

que nunca toca no rádio.

 

 

marcelo montenegro



Escrito por Caio Carmacho às 16h41
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as últimas palavras do anjo diluidor

 

grisalho

o pensamento velho sobrevoa os álbuns de família

& as cidades


grisalho

o olho do espantalho

vê as maldades do mundo e diz:

caralho!

 

grisalho

o olho do espantalho

vê as maldades do mundo e diz:

caralho...

 

chico césar



Escrito por Caio Carmacho às 16h53
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no que concerne a uma sanguessuga

que rouba sonhos

eu estremeço e a velhice já cobre 

a minha pele,

como nas intimidades de safo, quando desce eros,

ambiguamente fashion,

vestido de púrpura, no sonho mais viado

 

envelheço,

seco a minha porra,

sangro os riachos

 

e assim te renovas, lambuzando-se toda,

trajes de gala

 

deixas-me vidas secas, como chão de açude,

feições de beckett

 

e foges perversa, para sugar outros homens

seringa nas glândulas

 

xico sá



Escrito por Caio Carmacho às 16h50
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cocaína II (epílogos)

tudo que escrevo

sai pronto num jorro

apesar de terminado

eu ainda me mordo

- eu -

ainda me mordo

 

caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 18h34
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