O mundo é dos comerciantes Por isso é que antes Quando eu vendia
tridentes A loja era cheia, Fiz meu pé de meia, Lucrei nos
conflitos E agora preciso espetar uns palitos No lugar dos dentes
O
mundo é dos comerciantes Por isso é que antes Quando eu vendia
alicates Ganhava uns trocados, Arrancando dentes, Apertando porcas E
agora preciso apertar Uns parentes Pra pagar as contas
O mundo é
dos comerciantes Por isso é que antes Quando eu matava meus porcos Eu
quase mudei Fui morar no planalto, Mandava no povo E agora dou facada
nos incautos E nunca devolvo
nº1: toda mulher fumante é cagona. pode ser linda, mas fumante que é fumante sabe, não passa de uma cagona
nº2: meu primeiro choque acadêmico se deu em um dos banheiros da faculdade metodista de piracicaba. na porta de uma das privadas, li: 'o boi pode ser um animal forte, mas o livro é um objeto útil'. naquele momento, percebi que não estava sozinho no mundo
nº3: minha turma tinha uma teoria de que não existe vida possível antes do meio dia. eu sigo acreditando nisso
(continua...) Escrito por Caio Carmacho às 20h42
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Quero crer que creio E finjo e
creio Que mundo e ego Ambos São teatros Díspares E
antípodas.
Absolutos que se refratam / difratam… Espelhos estilhaçados
que não se colam.
Entanto são Ecos de ecos que se
interpenetram Partículas de ecos ocos, partículas de ecos plenos que se
conectam Aí cosmos são cagados, cuspidos e escarrados pelo opíparo caos E
o uso do adjetivo está correto Pois que o caos é um banquete. Fantasmas de
óperas. oooooooooooooooooRatos de coxias. ooooooooooooooooooooooooooooooAtos truncados.
Há
uma lasca de palco oooooooooooooooooem cada gota de
sangue oooooooooooooooooem cada punhado de
terra ooooooooooooooooooooooooooooooooooooode todo e
qualquer poema.
na vida sou passageiro eu também motorista fui trocador
motorneiro antes de ascensorista tenho dom pra costureiro para
datiloscopista com queda pra macumbeiro talento pra adventista agora
sou mensageiro além de pára-quedista às vezes mezzo engenheiro mezzo
psicanalista trejeito de batuqueiro a veia de repentista já fui
peão boiadeiro fui até tropicalista outrora fui bom goleiro hoje sou
equilibrista de dia sou cozinheiro à noite sou massagista sou galo
no meu terreiro nos outros abaixo a crista me calo feito mineiro no
mais vida de artista
acordo de pau duro abraçado à pequena promessa esperança de futuro
o corpo suado a garganta ardendo arfando tudo enfim
reservo para mim esse momento sublime de prazer inominável adiar o prazer imediato é circunstancial o amor também adoece
rouco privilégio tosse tossindo às cinco da manhã com o frio involuntário
deixo que fique rijo imaculável inacabado com seu ar de entidade febril
delito inviolável largado a 7 palmos de lençóis hoje, mas só hoje está de folga até ter alta em abril
caio carmacho Escrito por Caio Carmacho às 16h59
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sonetilho de verão
traído pelas palavras. o mundo não tem conserto. meu coração se agonia minha alma se escalavra meu corpo não liga não. a idéia resiste ao verso, o verso recusa a rima, a rima afronta a razão e a razão desatina desejo manda lembranças.
o poema não deu certo. a vida não deu em nada. não há deus. não há esperança. amanhã deve dar praia.
neve nos cedros não enevoam o meu ser meu cérebro nem sequer desbotam a imagem comercial e bonita de um coqueiro com seus vespertinos ornamentos elaborados
os discursos me enganam com sua ascendência franco-soviética seus porres conceituais sua ilha inerte
o mundo de sofia é muito lindo porque ninguém entende mas deve ter lido percebido algum dinheiro no meio
é preciso um louco pra parar pra varrer pra valer o velho mundo é preciso um louco dessacralizar tudo
é preciso ciência para justificar que com paciência peso e medida que equivalem o quilo a massa o tanto
não se explica o fenômeno humano d'eu não ter conta em banco