Quem sabe Deus
Quem sabe Deus não encontrou Quem sabe Deus não encontrou ainda E na
ausência cabe ao pior Falar Deus, isso ninguém duvida
Se dá
rodado Não me incomoda E nessa roda Roda teu juízo
Sou obrigado
a dar um dois Tribuna mestra não prende por isso
Corre, corre na
cidade Ninguém sabe de onde é O que é que há
São remotas conduções,
mas há luz São pequenas conversas, resultados
Na muralha do
tempo Poetas conseguem viver
Temerá nascer, mas há um
Entre
todos viver meu caminho Entre você, meu amor
Entre Deus que é só o
universo Entro dentro de mim, meu coração
Otto
Escrito por Caio Carmacho às 14h29
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mulata exportação
'mas que nega linda e de olho verde ainda olho de veneno e
açúcar! vem, nega, vem ser minha desculpa vem que aqui dentro ainda te
cabe vem ser meu álibi, minha bela conduta vem, nega exportação, vem meu
pão de açúcar! (monto casa procê mas ninguém pode saber, entendeu meu
dendê?) minha tonteira minha história contundida minha memória confundida,
meu futebol, entendeu meu gelol? rebola bem meu bem-querer, sou seu
improviso, seu karaoquê; vem, nega, sem eu ter que fazer nada. vem sem ter
que me mexer em mim tu esqueces tarefas, favelas, senzalas, nada mais
vai doer. sinto cheiro docê, meu maculelê, vem, nega, me ama, me
colore vem ser meu folclore, vem ser minha tese sobre nego malê. vem,
nega, vem me arrasar, depois te levo pra gente sambar'.
imaginem: ouvi
tudo isso sem calma e sem dor. já preso esse ex-feitor, eu disse: "seu
delegado..." e o delegado piscou. falei com o juiz, o juiz se insinuou e
decretou pequena pena com cela especial por ser esse branco
intelectual.
eu disse: "seu juiz, não adianta! opressão, barbaridade,
genocídio nada disso se cura trepando com uma escura!" ó minha máxima
lei, deixai de asneira não vai ser um branco mal resolvido que vai
libertar uma negra: esse branco ardido está fadado porque não é com lábia
de pseudo-oprimido que vai aliviar seu passado. olha aqui, meu
senhor: eu me lembro da senzala e tu te lembras da casa-grande e vamos
juntos escrever sinceramente outra história digo, repito e não
minto: vamos passar essa verdade a limpo porque não é dançando
samba que eu te redimo ou te acredito: vê se te afasta, não invista, não
insista! meu nojo! meu engodo cultural! minha lavagem de
lata!
porque deixar de ser racista, meu amor, não é comer uma
mulata!
elisa
lucinda
Escrito por Caio Carmacho às 14h30
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