se ela voa, onde andaria ou se não anda onde ela pensa eu apenas acho que ela pensa e voa em mim ou se apenas anda eu acho fácil
é safada, essa fada...
se não fosse a safada quem é que se safaria? só uma ponte sobre a Bahia que cê pára com esse papo que já sabia que não dava no pé e acaba ficando por aí nesse papo barroquino beijinho encara aí com esse cara aí que te diz que sabe tudo de 100 anos de cinema
esse cara é cabeludo mas não te leva a nada! eu sim... te cato por esse lado, foco na cama e te afogo fada
atmosfera enevoada onde te busco? num turbilhão fragmentário, a palavra não vem sobressaltada atravessando o salão de salto alto e nariz arrebitado pisando em copos ou ovos numa trajetória de locomotiva
não vem não veio desfilar essa semana toda a atitude da estação um rock acústico toca alto na rádio do meu coração como pôsteres em relevo resgatados do dilúvio do esquecimento ao redor das paredes onde me amparo
dar as mãos à mocidade perdida antes de atravessar a rua e encerrar a carreira solo na base do baixo guitarra e bateria
entre a coisa que nasce e a coisa crescida algo em mim mudou mas não morreu não faço idéia do que tenha sido mas boto fé que ainda esteja aqui comigo
igual uma seção de sebo destinada a colecionadores de gibis alternativos
minha tática é olhar-te aprender como tu és querer-te como tu és
minha tática é falar-te e escutar-te construir com palavras uma ponte indestrutível
minha tática é ficar em tua lembrança não sei como nem sei com que pretexto porém ficar em ti
minha tática é ser franco e saber que tu és franca e que não nos vendemos simulados para que entre os dois
não haja cortinas nem abismos
minha estratégia é em outras palavras mais profunda e mais simples minha estratégia é que um dia qualquer não sei como nem sei com que pretexto por fim me necessites.
o neo-romântico promete o mundo largar a mulher os filhos o emprego a alma as drogas as premonições os fungos a igreja protestante a jogatina o crime organizado a cafeína o time de futebol e a conta arredondada na itália multiplicados os zeros num acesso de piada
vem com aquele já esperado desespero bafo de cachaça e papinho qualquer coisa fim-de-noite
transmutando-se num simpático azedinho doce
da gordinha do mercado à musa da tevê o que prevalece é o viagra e a vontade de comer
Colho olhos fixos de novo boca seca aberta - o não completo me suspende entre parênteses invisíveis e impotentes no ar parado - de passeio neste campo imperceptível minado que a pasma semântica do absurdo colore de avesso e espanto, flores que explodem ao contrário.
seus olhos verdes pintados de preto quase uma camuflagem de guerra nada se enquadra ao estereótipo se você não é a revolução dos tempos é mais ou menos isso mesmo
lavar copos espremer limões dispor canudos por ordem decrescente coroar sobretudo as bordas pouco açúcar para homens muito para mulheres gelo gelo gelo como raios entrecruzados de galos engasgados tecendo a cada pontada a manhã em ressaca