NOUTRATEZ


fado de fada

é safada, essa fada...

se ela voa, onde andaria ou se não anda onde ela pensa
eu apenas acho
que ela pensa e voa em mim ou se apenas anda
eu acho fácil

é safada, essa fada...

se não fosse a safada quem é que se safaria?
só uma ponte sobre a Bahia que cê pára com esse papo que já sabia
que não dava no pé e acaba ficando por aí nesse papo barroquino beijinho
encara aí com esse cara aí que te diz que sabe tudo de 100 anos de cinema

esse cara é cabeludo mas não te leva a nada!
eu sim... te cato por esse lado, foco na cama e te afogo fada

na minha coleção de fotogramas


pedro rocha



Escrito por Caio Carmacho às 21h42
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pergunte ao pó

atmosfera enevoada
onde te busco? num turbilhão
fragmentário, a palavra não
vem sobressaltada atravessando o salão
de salto alto e nariz arrebitado pisando
em copos ou ovos numa trajetória
de locomotiva

não vem não veio
desfilar essa semana
toda a atitude da estação
um rock acústico toca alto
na rádio do meu coração
como pôsteres em relevo
resgatados do dilúvio do esquecimento
ao redor das paredes onde me amparo

dar as mãos à mocidade perdida antes
de atravessar a rua e encerrar a carreira solo
na base do baixo guitarra e bateria

entre a coisa que nasce e a coisa crescida
algo em mim mudou mas não morreu
não faço idéia do que tenha sido
mas boto fé que ainda esteja aqui comigo

igual uma seção de sebo destinada a colecionadores
de gibis alternativos


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 00h06
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4,50

Subiram
O preço do
Cigarro

Pr'eu morrer...

Pagando
Ainda mais
Caro.

Caro...

Caro pra
caralho!


vicente canato



Escrito por Caio Carmacho às 21h27
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tática e estratégia

minha tática é
olhar-te
aprender como tu és
querer-te como tu és

minha tática é
falar-te
e escutar-te
construir com palavras
uma ponte indestrutível

minha tática é
ficar em tua lembrança
não sei como nem sei
com que pretexto
porém ficar em ti

minha tática é
ser franco
e saber que tu és franca
e que não nos vendemos
simulados
para que entre os dois

não haja cortinas
nem abismos

minha estratégia é
em outras palavras
mais profunda e mais
simples
minha estratégia é
que um dia qualquer
não sei como nem sei
com que pretexto
por fim me necessites.


mario benedetti



Escrito por Caio Carmacho às 20h25
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se eu fiz tudo

se eu fiz tudo que fiz
foi pensando em fazer você feliz
eu dei o pulo que dei e nem podia dar
mas você não quis

não quis só porque você sabe tudo o que quer
ou é porque não sabe

pulei de cabeça nessa coisa, coisa, coisa, coisa
entreguei meu sangue e meu plasma
plasma, plasma, plasma

mas você não quis
porque sabe
ou é porque não sabe
que a coisa é muito louca

sangue, plasma, corpo, alma e de cabeça

foi o pulo que eu dei
pra fazer você feliz
dei de mim tudo que sei
mesmo assim você não quis
ser feliz


itamar assumpção



Escrito por Caio Carmacho às 01h13
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mandioca revisitada

o neo-romântico promete o mundo
largar a mulher os filhos o emprego
a alma as drogas as premonições os fungos
a igreja protestante a jogatina o crime organizado
a cafeína o time de futebol e a conta arredondada na itália
multiplicados os zeros num acesso de piada

vem com aquele já esperado desespero
bafo de cachaça e papinho qualquer coisa
fim-de-noite

transmutando-se num simpático
azedinho doce

da gordinha do mercado à musa da tevê
o que prevalece é o viagra
e a vontade de comer

 

caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 11h11
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Vaca negra sobre fundo rosa, Sobre portas e Uma tentativa de retratá-la

carlito azevedo



Escrito por Caio Carmacho às 00h29
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flores

Colho olhos fixos
de novo
boca seca
aberta
- o não completo me suspende
entre parênteses invisíveis e impotentes
no ar parado -
de passeio neste campo imperceptível
minado
que a pasma semântica do absurdo
colore de avesso e espanto,
flores que explodem ao contrário.


angela melim



Escrito por Caio Carmacho às 23h26
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fotocópia

já não consigo identificar
seus passos dos demais passos
cansados no interior deste sobrado

de forma vaga rememoro o seu riso comedido
e pouco escandaloso, melhor dizer um
sonoro sorriso, um instantâneo maroto

porque assim fica fácil ligar os pontos
distinguir defronte ao espelho
até onde sou você, até onde me estendo

 

caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 00h32
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estudos sobre redescoberta

quando perderes
os pára-choques

deixe que caia
toda a roupa

te rebaterás
em dúvidas e lírios

ao ver-te puro e cheio
de urgências

sentirás alegre
preguiça

de toda
a gente

que só ouviu falar
de amor.


bruna beber



Escrito por Caio Carmacho às 00h03
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feministas

seus olhos verdes pintados de preto
quase uma camuflagem de guerra
nada se enquadra ao estereótipo
se você não é a revolução dos tempos
é mais ou menos isso mesmo


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 22h36
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convalesço

chacal



Escrito por Caio Carmacho às 19h57
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salvavidas

praia parada pra ver
a tua pressa uma
vida se perdia

a orla perdida
na tua marcha
apolínea

muito banhista pra
pouca alma ipanema
não vale teu pinote
herói renascentista




Escrito por Caio Carmacho às 20h13
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cabralíssima

lavar copos espremer
limões dispor canudos por
ordem decrescente coroar sobretudo
as bordas pouco açúcar para homens
muito para mulheres gelo gelo
gelo
como raios entrecruzados de galos
engasgados tecendo a cada pontada
a manhã em ressaca  


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 19h34
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movediço

sou antigo e
movediço
como o mangue

não sei
como não enlouqueci
aos 16

ainda tenho forças
pra destruir este quarto
este corpo os postes
da rua -

mas não posso
morrer não posso
não assim
maravilhado




Escrito por Caio Carmacho às 00h04
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mede-se o moço com o mundo

e muda e manda, imundo e mudo.

e o moço se mostra moribundo

mordido de medo

mal amado, moído, suado.

esse moço se mostra mudado

quando medido com o mundo

− quando medido em si mesmo

em vez de imundo, imenso.

 

telma scherer



Escrito por Caio Carmacho às 21h51
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