não sei explicaro que me motivoua colocar fogonaquele pinheiroem frente de casanão era a beleza"da chuva vermelha"nem a necessidade de calornuma manhã sem abrigohavia um fósforouma caixa de fósforos
heitor ferraz mello
do rito da passagemse faz o equilíbrio da vidafisicamente falandoa busca de uma nova fronteiraque ultrapassa verdadeiramentequalquer realidadeé um luxo que devemos nos darpara escapar das mesmas veleidades
caio carmacho
sei que ainda não estou no inferno
sei que ainda não estou no infernoporque ainda vejo anjossei que ainda não estou no infernoporque ainda sinto friosei que ainda não estou no infernoporque estou arrepiadocomo cão do mato sabendo que algo pior ainda está por virsei que ainda não estou no infernoporque ainda respiroum ar angustiante, mas ainda respirosei que ainda não estou no infernopor causa do seu sorrisosó ele me faz acreditarque ainda existe um paraísosei que ainda não estou no infernoporque o diabo não seria tão incompetente
luiz carioca
vejo ao longe no céu da piscinao reflexo de minha própria retinaé como se eu estivesse de molhodentro do meu próprio olho
felipe cataldo
que fique bem clarolabirintos e abismosnão são isolamentos tão rarospara raptar a luz fria dos dias
é preciso ser humanopra pisar em ovose contemplar minuciosamentecada calomorar ao pé do morropode ser equivocado
nos meus olhoso reflexo da vontadeo marejodo desejonos pensamentosa vontade de acharprocurar o inesperadosair na noitevagandoem vocêo pensamento viajaa música não páraos olhos não fechamter vocêé mundo transversalviagem espiritualprelúdio clássicode uma obra inesperadacom vocêé desejo constante...
edson moura
polaco loco paca
paulo leminski
eco de canção(de esguelha)no protetorde orelhao pé inoxidávelretalhando odoresconstantesdurante o turnouma leve sensaçãode chumbo cavalgaas vértebras — opássaro pousanum único lembrarde galho de árvore —uma gota de suorsuspensa no óleoreafirma umareação química
fabiano calixto