NOUTRATEZ


poeminha para um ano novo

é de se pensar o que foi veio 
e virá entre acertos e erros
todos desconjuntados
sem o conforto da previsão
em seus direitos

enterraremos o mês de janeiro junto 
aos nossos submarinos imaginários
nossos planos de fuga irrealizáveis
nosso futuro incerto

sem falar no nosso desleixo ao vocabulário
tão apegado às reticências

encurralados seguiremos em frente 
com a nossa estranha e natural admiração 
por diminutas coincidências 
e pessoas sorridentes

 

caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 14h24
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nuvem cigana



Escrito por Caio Carmacho às 01h29
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cargo desejado: secretária

a despeito das dietas
e da matéria forjada no conteúdo
pouco importam os esforços acadêmicos
quando não se contém glúteos

 

caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 17h44
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novamente é verão abaixo do equador
novamente veremos debaixo do sol
as variedades dos filmes antigos
saberemos o nome dos ventos
sorrisos muito brancos
dores coloridas
amores impossíveis
segundo os almanaques
colhem-se feijão milho abóbora e manga
não se cortam madeiras
nem se deitam galinhas ou outras aves
as ruas avenidas e ônibus
tornam-se insuportáveis 
como já sabiam os índios daqui
que não faziam cidades

 

guilherme mandaro



Escrito por Caio Carmacho às 12h50
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breguice erudita

beatificar
o buteco e todos
seus frequentadores

matar quem fala demais
todos os lero-leros
grilos falantes prosadores

esquecer a luz da sala
acesa (apesar das contas, 
amanhã será outro dia)
pra iluminar o bolero dançando 

descompassados 
os olhos
da menina mais bonita
(ao que te fito e tu me fitas)

de verão em verão
enveredaremos modinhas

para esquecer sobretudo
da cor marrom
na confecção das calcinhas

 

caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 23h33
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Scherzo

Ontem à noite, eu e você,
em plena cumplicidade
em vez de fechar as janelas
como todo mundo faz
deixamos as nossas abertas
só pra ver o que ia dar.

Deu nisso:
varreu as ruas um vento
saído de nossas janelas,
de dentro de nossas gavetas
onde nós há tanto tempo
guardávamos tempestades
pra algum dia especial
(que acabou sendo ontem).
O vento levou pedaços
de céu que atravancavam
nossos sóbrios conjugados;
enormes nuvens incômodas
rolaram janela afora
feito lerdos paquidermes
e se esparramaram a valer.
O ar fresco inesperado
de nossos apartamentos
causou transtornos na rua:
os transeuntes, coitados,
tossiam intoxicados
por excesso de oxigênio;
cambaleavam às tontas
pelas calçadas vazias.

Fui eu o primeiro a jogar
em baldes pela janela
a água clara que jorrava
de fontes desconhecidas
em áreas inexploradas
sob a cama e atrás do armário,
mas foi você quem soltou
do alto do oitavo andar
as primeiras plantas aquáticas,
os peixes, répteis e aves;
eu, porém, instituí
o pêlo e o viviparismo
dos mamíferos essenciais.

E como as ruas já estavam
inteiramente povoadas,
e como já os postes da Light
todos tinham evoluído
em árvores colossais,
e como ainda não eram
nem três horas da manhã
e já estava terminado
o grosso da Criação,
descemos até a rua
em busca de um bar aberto.
No primeiro que encontramos
nossos milagres caseiros
eram o assunto geral;
e nós, sedentos e incógnitos,
pedimos duas cervejas
e ficamos contemplando
sem espanto nem orgulho
a grama tenra e miúda
que brotava a nossos pés.

 

paulo henriques britto



Escrito por Caio Carmacho às 00h44
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vampiro ciro

mano melo



Escrito por Caio Carmacho às 00h46
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cuma?

 

 

escolheram o noutratez novamente

numa dessas seleções que a comunidade da UOL prepara semanalmente

para leitores e blogueiros. juro que não tenho nada

a ver com isso. entre os relacionados,

tem um blog sobre futebol, outro político e um outro sobre jésus.

é mané, cada vez mais criteriosos.



Escrito por Caio Carmacho às 18h37
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zona sul

trafegar 
por esta rua nua
sem o intuito
do encontro
imediato

nem conflitos desnecessários

gps mapa sinal verde

desnecessário também
mau humor
com as últimas notícias
de enchente

quando o perfume fura a fila
invade as narinas não pede licença
na entrada da boate

e que por deboche senão 
açoite fede ou adoça o ambiente
como dama da noite

só resta se conformar meu amigo
porque perua é isso mesmo:
um bicho excessivo

diferente dos perus 
que comem-se uns 
aos outros na encolha

porque carne que tá
a perigo
dispensa direito de escolha

 

caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 13h11
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Huracan

CAMBIAR DE IDIOMA POUR
PROVOQUER SISTÉMATIQUEMENT
LE DELIRE
MANTRA DO DIA
:
E é para além do mar a ansiada ilha.
O poeta carrega um estandarte escrito:
SOU SEMPRE DOIDO.
CAMBIAR DE COR. água de la mar.
Yo cargo en mi corazón las imagenes del EDEN mi
alma incendida como um carbón cada toda manhã
sento na beira da lagoa e deixo o verde dos montes
e o reflexo do espelho se estampar em minha cara.
esta lagoa que trago dentro do peito. hoguera. 
minha alma = meu rosto.
Simples e calmo mas não alegre nem triste:
inexistente. não ME sinto: "sou" feixe de sentidos.
Todas as coisas depois de feitas compõem
um movimento insuficiente – tomar ar –
1 passo atrás 2 na frente 2 passos atrás 1 na
frente 1 passo atrás 2 na frente 2 passos
atrás 2 na frente – tomar ar – provocar
um movimento superior da minha alma.
Tomo os céus e despenco e torno a tomar
Evitar que minha cara minhas cartas meu
papo minha figura se transformem em
crítica maniqueísta de pessoas-situações:
"O reino da sorridência e o tema do traidor".
Coragem é CAMBIAR de coração para 
a alma não ter sede onde pausar:
ERRAR. errar e perseverar no erro. errar
e não perseverar no erro. NÃO ERRAR.
Descer aos infernos e tornar afiada a
fileira que desde o Rio das Contas venho
enfiando
TORNAR AOS CÉUS
TOMAR OS CÉUS DE ASSALTO

O céu retirado como livro que se enrola o céu reti-
rado como livro que se enrola o céu retirado como
livro que se enrola o céu retirado como livro que se
enrola o céu retirado como livro que se enrola o
céu retirado como livro que se enrola o céu retira-
do como livro que se enrola


TORNAR AOS CÉUS 

TOMAR OS CÉUS DE ASSALTO

 

waly sailormoon



Escrito por Caio Carmacho às 22h06
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sem conserto

não consigo encontrar
um lugar apropriado para o fim.
o tempo entrou em coma,
perdi minhas memórias e nem percebi

um breve instante foi
um presente que eu ganhei, mas ainda não abri
tempo perfeito não
deixa sobras no futuro
igual a mim, igualzinho a mim
igual a mim...

qualquer um que fotografar
os pesadelos de quem não volta a dormir
vai andar olhando pro céu
pois vai sempre estar a um passo de cair

um breve instante foi
um presente que eu ganhei, mas ainda não abri
seguindo em frente então
sem memória e sem futuro
é melhor assim, bem melhor assim,
é o melhor pra mim...

 

maquinado



Escrito por Caio Carmacho às 01h01
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santa luzia

nada vale o que vale
o que tive e perdi.

não te digo do que sei
do que senti e sofri.

o tempo vai e não volta.
nada tive, tudo vi.


fernando ferreira de loanda



Escrito por Caio Carmacho às 12h12
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