NOUTRATEZ


Curriculum Vitae

Que é necessário fazer?
É necessário preencher um requerimento
E anexar um curriculum vitae.

Qualquer que seja a duração da vida
O C. V. deve ser sucinto.

Recomenda-se a concisão e uma boa seleção dos dados.
Transformar o que era paisagem em endereço.
E as vagas lembranças em datas fixas.

De todos os amores, basta o conjugal,
De todos os filhos, só os que nasceram.

Quem te conhece, não quem conheces.
Viagens, só ao exterior.
Filiações sem as razões.
Distinções sem menção ao mérito.

Escreva como se nem te conhecesses.
Como se te mantivesses sempre à distância de ti.

Silêncio total sobre cães, gatos, passarinhos,
Lembranças, amigos e sonhos.

Prêmios, mais que o valor.
Títulos, mais que a relevância.
Número dos sapatos, e não onde eles vão.

Anexar uma foto com orelhas bem visíveis.
É a forma delas que conta, e não o que elas ouvem.
E o que é que elas ouvem?
Barulho de máquinas de picar papel.

 

wislawa szymborska



Escrito por Caio Carmacho às 15h26
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aberto-fechado

desde que o mundo é mundo
tudo se move nessas paralelas
não adianta mudar o eixo
usar de capoeiras do sentido
para formular um desfecho
imprevisto

'a beleza convulsiva'
deve vir naturalmente
caso contrário o poema
se metaforiza no cárcere
da sua própria semente


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 19h15
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Pelas ruas

Pelas ruas ele andava procurando
E a toda a hora ele se apaixonava
Invadido por amores em bando
Faz merda mas só leva insultos dos baratos
O peito é largo, o coração não trava
Então decide e o mundo enche-o de maus tratos


Perdido em tanto amor que tem para dar
Nem todos o conseguem receber
Só sabe manter puro o seu olhar
Não crê que para si haja alguma salvação
Mas isso mais ninguém se digna a ver
A uns Deus deu a paz a outros a paixão


Só sabe amar desenfreadamente
E com alguma multiplicidade
A sede sempre, nunca a saciedade!
O amor não é para toda a gente

Constantes sensações por meio mundo
São mágoa para alguns regularmente
Para outros, tem o coração imundo
Sentir não é para toda a gente


Só sabe amar desenfreadamente
E com alguma multiplicidade
A sede sempre, nunca a saciedade!
O amor não é para toda a gente

Constantes sensações por meio mundo
São mágoa para alguns regularmente
Para outros, tem o coração imundo
Sentir não é para toda a gente


b fachada



Escrito por Caio Carmacho às 16h57
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dunas cearenses

sonhos canadenses
me trouxeram você dissimulada
em acordes de guitarra

vaqueira na areia
mulher da minha vida
de couro e costeletas


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 16h24
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Izabé

Mordeu as maçãs
Fumou os baseados
Queimou os sutiãs
Libertou os escravos

 

lucas viriato



Escrito por Caio Carmacho às 15h42
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O amor

O amor, sem palavras. Ou. A palavra amor, sem amor. Sendo amor,
ou. A palavra ou. Sem substituir nem ser substituída por. Si, a palavra
si, sem ser de si gnada ou gnificada por. O amor. Entre si e o que se.
Chama amor, como se. Amasse (esse pedaço de papel escrito amor).
Somasse o amor ao nome amor, onde ecoa. O mar, onde some o mar
onde soa. A palavra amor, sem palavras.


arnaldo antunes



Escrito por Caio Carmacho às 15h35
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filtro vermelho

tem males
como o cigarro
que te salvam
de um assalto premeditado

tem males que
igualam socialmente
todas as classes

o cigarro por exemplo
me tirou de altas furadas
várias balas que eu poderia ter
tomado

sem nada prover
a quem me extorquia
nunca deixei de oferecer
ao menos um cigarro
(que nunca foi negado)

firmado o trato
cada um pro seu lado

me disseram que na cadeia
o marlboro vale ouro

e não obstante um pensamento
me atropela:
tem males que vem
tem males que vem para o bem


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 14h20
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dedicatória

deve ter algo no céu
da sua boca
que me faz brilhar


leo gonçalves



Escrito por Caio Carmacho às 18h40
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texto

Oh espina clavada en el hueso
hasta que se oxiden los planetas

Federico García Lorca


O texto, escura escama, pesadelo de eternidade,
máscara densa do universo vomitando.
O texto, mas não a energia que o pensou,
interrogando a simultaneidade absoluta.
Há uma esperança nas ruas, nas pedras, no acaso
de tudo, uma esperança, uma forma suspensa
entre o aparente e a essência, entre o que vemos
e a substância, uma esperança, uma certeza talvez
de que o rio não se dissolva no mar, de que
o ínfimo, o precário, a voz, a sombra,
o estalar das carnes na explosão
não se dispersem no todo, impensável medusa da inexistência.
Há uma luz qualquer sonhando integração, o suposto
destino dos ventos, das energias globais, a suposta
sabedoria com que o homem fecundou a crosta
envenenada do planeta, há uma luz qualquer
ensaiando águas pensadas no eterno esvair-se,
abstrato expansionário, há uns olhos além
da frágil realidade, da terrível matança, da
cruel carnificina entre seres pestilentos aquém
da fronteira do sonho, um texto além do texto,
uma esperança talvez, enquanto somos e nos cumprimos,
enquanto somos e nos oxidamos, enquanto
somos e prosseguimos.

 

afonso henriques neto



Escrito por Caio Carmacho às 16h58
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600 fios

cinco minutos de sexo
com cleópatra
e mancho a civilização egípcia
com a minha história


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 18h09
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discurso

tecer o fio de Ariadne
sem ao menos a intenção
de um dia retornar

tecer pelo exercício
narcísico
de se conhecer e doar

ir, perscrutar
para além do verde
opaco da próxima curva

sabendo cada passo
apenas eco
do anterior

ir
pelo puro prazer
da paisagem

ao estrangeiro

é permitido
o esplendor


sergio cohn



Escrito por Caio Carmacho às 15h50
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valsa do vestido

Nem poesias nem baladas,
apenas água e calma.
Abre a alma e mostra os seios,
entre os seios me abrigue sem receio.

Na sua boca a minha ao meio,
as línguas dançam uma valsa,
ninguém sabe de onde veio
a sua pele, neve branca que flutua.

Boca e sextos sentidos,
cantam sons esquecidos,
buscam beijos perdidos
por debaixo de uma saia,
por debaixo dos vestidos.

Olhos fechados sonham sonidos.
Manhã amanhece um outro sol no caminho.


doces cariocas



Escrito por Caio Carmacho às 16h31
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