NOUTRATEZ


baleia

um canto
um mantra
entre as coisas
mais misteriosas e humanas

graciliano e a cadela

john bonham em moby dick

só reforçam a minha ideia
de que o impossível ainda existe


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 12h28
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diamante

O amor seria fogo ou ar
em movimento, chama ao vento;
e no entanto é tão duro amar
este amor que o seu elemento
deve ser terra: diamante,
já que dura e fura e tortura
e fica tanto mais brilhante
quanto mais se atrita, e fulgura,
ao que parece, para sempre:
e às vezes volta a ser carvão
a rutilar incandescente
onde é mais funda a escuridão;
e volta indecente esplendor
e loucura e tesão e dor.

 

antonio cicero



Escrito por Caio Carmacho às 12h31
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contudo, tento

o que falo é menor do que eu
palavras são peso
só quero tirar o peso

dizer com o olhar
o que se força com o olhar

tudo é força

deus, você – e eu
sabemos que não existe verdade

por que culpar por tentar ser?

deus, você e eu
ainda
sem respostas


thiago camelo



Escrito por Caio Carmacho às 19h56
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A bunda, que engraçada

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
redunda.

 

carlos drummond de andrade



Escrito por Caio Carmacho às 16h08
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tudo cabe

na palavra. tudo que está dentro e fora.
tudo que é intenção ou acaso. tudo, tudo, tudo
transborda de alguma forma e em algum momento.
tudo se encaixa: a anca e a coxa, e os retalhos da colcha.
tudo pode. a palavra é a metáfora da vida; que mesmo quando
não diz nada, ensimesmada, está dizendo alguma coisa.


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 23h05
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Plano

esperar Eva Green vir a São Paulo

por acaso conhecer Eva Green

convidar Eva Green para uma feijoada

beber com Eva Green cerveja e Salinas

ensinar Eva Green a sambar

no fim do dia ver com Eva Green o sol se pôr na praça do

Pôr do Sol

se Eva Green for maconheira é melhor ter um baseado no

bolso

falar de Rimbaud com Eva Green

mas Eva Green tem cara de quem prefere Baudelaire

traduzir Bandeira para Eva Green

Tom Jobim para Eva Green

Bocage para Eva Green

em hipótese alguma ler os poemas que escrevi sobre

Eva Green

tomar um drinque no Terraço Itália com Eva Green

visitar Betito e Gô com Eva Green

não ir com Eva Green ao La Tartine

a não ser que Eva Green esteja muito nostálgica

ir ao cinema com Eva Green?

à praça Roosevelt com Eva Green?

sei que Eva Green não gosta de boate

apresentar a Eva Green uma boa padaria

amanhecer na Paulista com Eva Green

roubar um carro conversível

e descer para Santos com Eva Green

dormir num hotel barato mas limpinho com Eva Green

fazer amor com Eva Green

levantar tarde e comprar um biquíni

e protetor solar para Eva Green

comer mariscos com Eva Green e beber mais cerveja

em algum quiosque da beira da praia

quando o que Eva Green disser “vou dar um mergulho e já volto”

depressa avisar Eva Green que a água está poluída

consolar Eva Green por esse triste fato

prometer levar Eva Green a Picinguaba

onde o mar é verde como os olhos de Eva Green

agora sim mostrar para Eva Green os poemas que fiz para

Eva Green

depois voltar ao hotel com Eva Green

massagear os pés de Eva Green

e deixar que Eva Green durma tranquila

então abrir a janela e tomar uma dose de uísque

olhando as estrelas e relembrando a infância

e sentir a maresia invadir o quarto e a cama

onde Eva Green dorme de lado com minha camiseta

e esfrega um pé no outro enquanto sonha


fabrício corsaletti



Escrito por Caio Carmacho às 14h39
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morris albert

cãibras
reza braba
prisão de ventre

não há quem aguente
uma cura espiritual
para os dias de preguiça

melhor ficar
à deriva

consciência limpa
e nothing more than feelings


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 14h23
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cânhamo

me vem como o sol pintando dia na parede do meu quarto e levo, enfim,
as mãos vazias ao alto na esperança de pescar qualquer-toda-coisa-alguma.
me vem como um solo de coltrane, doido-doído, preenchendo os cantos vazios
de algo que as pessoas - não muito criteriosas - se habituaram a chamar de alma.

que fique no meu peito. nem que seja como cânhamo, que já é costumeiro;
mas que fique.


joão freitas



Escrito por Caio Carmacho às 14h22
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meia furada, porção para dois e ponto de partida

pot-pourri picareta 2009



Escrito por Caio Carmacho às 09h52
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Eu não sabia o que dizer nem por onde começar
a dizer qualquer coisa; então fui lá e disse por
que não existe outra maneira
Se é para dizer deve-se dizer mesmo sem saber
por onde ou por quê
Porque algumas coisas não são ditas, são como
balas que se perdem e uma hora encontram o
que não se estava procurando e aí a coisa fica
muito complicada
Então era isso, eu tinha que ir lá e dizer não
importando se seria bem compreendido ou não...
O que não é pouca coisa
Até Pasolini já tinha dito que morrer não é não
se comunicar, mas não ser compreendido
Se bem que, às vezes, não podemos nos aventurar
por esse caminho nem dar muita importância...
Afinal, cada um entende os sons das palavras
com seus próprios ouvidos e não serei eu que
direi como é que tem que funcionar a biologia de
cada aparelho auditivo...
Mas eu estava determinado a dizer, porque por
mais que seja constrangedor ou inconveniente
ou, até, ameaçador, as coisas que não dissemos
vão fermentando, criando fungos, nos dissolvendo
por dentro...
É verdade... O processo já foi iniciado na nossa
mente, as palavras já estão lá esperando o
momento de virem à luz e os sentimentos... Esses
são os mais complexos: porque um sentimento
não é somente UM sentimento, ele envolve
outros sentimentos que já tivemos durante
a vida, ele nos faz reviver outras situações,
provoca a mudança em nós da percepção das
cores, dos odores e... É muito confuso mesmo...
E isto tudo é como um bolo de carne, um nhoque
de gorgonzola que, se deixamos na geladeira,
quem sabe, esperando um melhor momento...?
Afinal, hoje o paladar não está para isso...
E um dia nós acordamos preparados para
saborear, mas... Não só o bolo, o nhoque já se
estragou como a geladeira não está cheirando
muito bem, o leite azedou, o suco de laranja virou
purgante... E nosso corpo é essa geladeira!
É, eu tinha que dizer. Subi no elevador, parei no
andar, na janela, um novo tiroteio na favela...
- E aí, gente boa...?
Acenei, é a política da boa vizinhança... Toquei a
campainha e disse.
Sim, eu tinha que dizer e disse:
- Minha senhora, seu iguana mastigou o meu
hamster

 

marcelo nietszche



Escrito por Caio Carmacho às 00h17
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dois pontos
: na página seguinte
(como se levitasse um segredo)
pequenas lantejoulas,
grandes janelas
: na página seguinte
(como se evitasse o presente)
equilibrava vagalumes
no som de flautas afogadas
roía o tempo
esse nunca entender o depois
(como foi sempre)
na página seguinte:


gabriela marcondes



Escrito por Caio Carmacho às 00h12
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