NOUTRATEZ


poema atravessado pelo manifesto sampler

ramon mello



Escrito por Caio Carmacho às 20h18
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fogo-fátuo

ela é uma mina versátil
o seu mal é ser muito volúvel
apesar do seu jeito volátil
nosso caso anda meio insolúvel

se ela veste seu manto diáfano
sai de noite e só volta de dia
eu escuto os cantores de ébano
e espero ela chegar da orgia

ela pensa que eu sou fogo-fátuo
que me esquenta em banho-maria
se estouro sou pior que o átomo
ainda afogo essa nega na pia.


chacal



Escrito por Caio Carmacho às 20h58
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da estranha arte de usar pantufas

lendo carlito azevedo
penso na origem de todas as coisas
como um fio condutor invisível
ou um artefato estético explosivo
que me leva a questionar a função
de uma toalha de mesa florida
um slogan publicitário
e mesmo um pijama aposentado

até onde posso chegar?

é a pergunta que me assalta
às 7 e meia da manhã
como prólogo de um poema
que começa a se dissipar


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 12h51
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enquanto eles capitalizam a realidade
eu socializo meus sonhos


sérgio vaz



Escrito por Caio Carmacho às 12h48
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Brilhar para sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
gente é para brilhar,
que tudo mais vá para o inferno,
este é o meu slogan
e o do sol.

maiakovski



Escrito por Caio Carmacho às 21h09
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batalha épica

eu versus a privada entupida

façam suas apostas


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 13h48
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oqueelatinha e (a)massa

emerson alcalde



Escrito por Caio Carmacho às 19h36
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latido

eu vi os artistas da minha geração
comendo costelinha c/ molho barbecue
no outback
vagando feito espectros em blogues e redes sociais
da internet
fumando cigarros mentolados ilegais

falando sobre pós-modernidade
da moda da música do cinema da literatura
da filosofia do comportamento das novelas
da publicidade

invejando brandamente o sucesso
alheio
e pleiteando novos esquemas
espaços e vantagens

eu vi os artistas da minha geração
gritarem em vão
por reconhecimento

até serem descobertos
e descartados pelo mercado

percurso efêmero até o abismo
o ostracismo o instagramismo
e o esquecimento


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 20h54
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poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


álvaro de campos feat. fernando pessoa



Escrito por Caio Carmacho às 13h52
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há também
ao lado da cama
a foto daquele
escritor que disse
na entrevista ter
tido um irmão gêmeo
e quando bebês
chegaram a ser
tão idênticos
que para diferenciá-los
os pais amarravam
fitas coloridas em
seus punhos
um dia foram
esquecidos na água
do banho, da banheira
um deles se afogou
e como as fitas
se tinham desatado
na água ensaboada
nunca se soube qual
dos dois tinha morrido

"se ele
ou eu"


carlito azevedo



Escrito por Caio Carmacho às 14h38
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omoplatas
são os seios
das costas

quando belas
que vontade
de tocar

falo isso
para registrar
as suas

que seios
e a vontade
de tocá-los.


bruna beber



Escrito por Caio Carmacho às 15h07
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eco performances poéticas



Escrito por Caio Carmacho às 15h13
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Nada vai apagar meu sorriso

Podem ameaçar com as bombas e morteiros
da Marinha Americana,
podem roubar meu dinheiro
e chamar os hômes pra me levar em cana,
nem que as vacas tussam e as porcas torçam seus rabos,
nem que eu seja atacado por mil cachorros brabos,
mesmo que me acusem de tudo que é heresia
e arranquem meu dente de ciso
sem anestesia,
nada vai apagar meu sorriso

Podem ameaçar com o Armagedon
e as trombetas do Juízo Final,
podem pintar o mar de marrom
e botar dez mil crianças assaltando no sinal,
podem parar o mundo e apagar a luz,
abrir a caixa dos pregos e me pregar na cruz,
podem rodar a baiana, podem soltar a franga,
bordar tudo mais feio que o cão chupando manga,
destruir a ferro e fogo os frutos do Paraíso,
nada vai apagar meu sorriso

Podem sujar a atmosfera
até fazer doloroso o ato de respirar,
podem abrir a jaula e soltar a besta fera
com sua boca horrenda para me devorar,
perfurar meus olhos com setas envenenadas
até que fiquem cegos,
me fechar no escuro junto com morcegos,
ratazanas e baratas aladas
sem nenhum sinal ou prévio aviso,
nada vai apagar meu sorriso

Entre os campos de batalha dessa guerra infame,
busco trocar amor com quem também me ame,
e sei que a maioria das pessoas são pessoas decentes,
gente do bem trabalhando para criar filhos
e passar sua herança de conhecimentos.
Por isso quando o trem parece correr fora dos trilhos
e o Império ameaça cuspir fogo pelos dentes,
eu sei que tudo na vida tem uma explicação,
e que existem razões que são estranhas até à própria razão.

Não importa as teias que a aranha teça,
a gente tem que se cuidar pra não virar presa.
Se a aranha tá a fim de te jantar,
você não pode permanecer passivo,
esperando que ela venha te devorar ao vivo.
Não apenas navegar, viver também é preciso.
Eu fico mais forte quando penso nisso:
nada vai apagar meu sorriso

mano melo



Escrito por Caio Carmacho às 15h02
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