NOUTRATEZ


Ainda era Rio de Janeiro, Botafogo
Eu me confundi comendo pão
Eu perdi o óculos
Ele ficou com o óculos
Passou a língua no óculos pra tratar
o óculos com a língua
Ela na vigilância do pão sem poder ter o pão
Essa troca de sabedoria de ideia de esperteza
Dia tarde noite janeiro fevereiro dezembro
Fico pastando no pasto à vontade
Um homem chamado cavalo é o meu nome
O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.


Stela do Patrocinio



Escrito por Caio Carmacho às 15h57
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A poesia e a matança dos mosquitos

Cada poema original que escrevo à máquina contém
...............[pelo menos 2 ou 3
cadáveres de mosquitos esfregados no rolo.
Isso porque escrevo muito de madrugada com a luz acesa.
Antes de amanhecer eu apago para espiar a mutação de cores.
Meu editor um dia vai receber a coleção completa.
Parece que Pablo Neruda colecionava por sua vez caramujos.
Uma senhora que me visitou outro dia achou que tenho alma de artista.
Como as pessoas são boas observadoras agora.
Os meus cachorros latem muito de noite quando estou escrevendo.
Eu acho isso muito chato porque fico tenso.
Às vezes eu penso que vai sair do mato um macacão enorme.


leonardo fróes



Escrito por Caio Carmacho às 15h53
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o cortejo

pedro lago



Escrito por Caio Carmacho às 13h02
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maturidade

nasci aberto para o mundo
e exatamente por isso
demorei muito para
aprender a dizer
não

o alvo preferido
das atendentes de telemarketing
dos ambulantes
dos crentes
dos bêbados
dos mendigos e
instituições de caridade

o incrível engolidor
de batráquios
que tomava no rabo
pelo chefe
que nunca negou
a vontade da mãe
da namorada
dos amigos filhos irmãos e afins

e isso tudo pra quê?
não adianta ser
gente fina e esperar
em troca
uma estátua de bronze
a medalha da são silvestre
uma recompensa divina

divino mesmo
é ter um não sob medida
se aquecendo no ringue
ansiando a sineta
para desferir o maior golpe
da língua


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 12h49
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Aerovias

Os aviões veem
a cidade inteira
de uma vez e sobre
voam as casas
pedindo atenção.
Peço a Deus
todas as noites
pelos aviões
que não têm lar.


Bruno Brum



Escrito por Caio Carmacho às 12h48
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Encontro ou amor

Vivo clandestina e não é mole essa vida clandestina
mas posso me orgulhar da qualidade da minha pele
e da temperatura do meu beijo
Eu estou envolvida como mundos que só existem
num desejo
Eu quero fazer com você um pacto de delicadeza
Eu quero me sentir Alteza,
para te ceder todos os músculos
Ser arbusto pros seus beijos
Vamos sair esburacando a madrugada
trocando beijos e tragadas
A lua é uma lantejoula da Nasa
que brilha leitosa no meu vestido estrelado


Fausto Fawcett



Escrito por Caio Carmacho às 12h45
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você
que a gente chama
quando gama
quando está com medo
e mágua
quando está com sede
e não tem água
você
só você
que a gente segue
até que acaba
em cheque
ou em chamas
qualquer som
qualquer um
pode ser tua voz
teu zumzumzum
todo susto
sob a forma
de um súbito arbusto
seixo solto
céu revolto
pode ser teu vulto
ou tua volta


paulo leminski



Escrito por Caio Carmacho às 12h40
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a pernilonga

um passo e tenho pelos pretos
que crescem enormes no rosto
em seguida adquiro péssimo hálito
unhas amarelas e couro cabeludo
que esfarelam com o movimento
ao mesmo tempo das remelas
das gotas de suor escuro
do barulho alto do estômago

no final do trajeto
haverá um rastro fétido
na entrada de seu edifício

no elevador o espelho
confirmará que encontros românticos
podem transformar alguém num monstro

em mensagem descontraída peço
que separe papel higiênico e cobertor velho
pra embrulhar este meu novo corpo


ana guadalupe



Escrito por Caio Carmacho às 12h34
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O fracasso como recompensa

Prometo e não tomo providências
meu evangelho renegado por todas as manhãs
minha fuga dos restaurantes coreanos e dos suspiros forjados
tenho pensado insistentemente em constrangimentos noturnos
mas ainda acredito no que se convencionou chamar de suplício
até fracassados têm códigos de ética
minha fé inabalável em possíveis viagens pra bem longe daqui
entre palmeiras e a brisa fria do fim de tarde
eu devo me deitar na solenidade da memória perdida
num quarto de hotel com nome exótico e reverente
a majestade de quem se deu por esquecido
de quem jogou fora todas as fichas
de quem sempre esteve fadado à derrota
mesmo sentado no topo do mundo
mesmo que ela dance semi nua na minha frente
que me ofereça sua nuca em sacrifício
e que derrame vinho em meu peito e deslize sua língua suave
ainda assim vou pensar que é sempre tarde demais
meu orgulho abençoado de perdedor
deixo o testamento de um loser
com duvidosa compaixão pela raça humana
como recompensa, tenho o sol abrasador
e a crença vil num evangelho porcamente escrito
só levo comigo minha inadequação e alguns poemas de Dylan Thomas
não tem mais pra ninguém

Daqui a 20 minutos, vai ser eu e Deus.


Mário Bortolloto



Escrito por Caio Carmacho às 12h31
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um oceano de candura & fetiche

que me perdoem
as castas
mas nada me deixa
mais tarado
que
você, dentro de um box,
cheirando
à água sanitária


caio carmacho



Escrito por Caio Carmacho às 12h27
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todo mundo quer matar a saudade
como se fosse uma bandida
uns matam a pauladas
outros a risadas
mas saudade é da vida
a mais bonita das faltas
quem fica sem dinheiro
sente saudade até do cheiro
de moeda de um cruzeiro
quem fica sem o seu amor
sente um vazio
que só se cura
quando o encanto se desfaz
mas de um amigo distante
a uma hora e meia de avião
saudade se mata
parcelando no cartão


ricardo silvestrin



Escrito por Caio Carmacho às 12h26
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